sexta-feira, 5 de junho de 2020

Comemoração do Dia Mundial do Ambiente - Divulgação da mensagem da Diretora-Geral da UNESCO


Mensagem de Audrey Azoulay
por ocasião do

Dia Mundial do Ambiente

subordinado ao tema 

«Biodiversidade»




Todos os anos, entre o final de maio e o princípio de junho, a UNESCO celebra três dias internacionais importantes que representam uma oportunidade para refletirmos juntos sobre os três pilares sistémicos das alterações climáticas: a biodiversidade, o ambiente e os oceanos.
O dia 5 de junho é uma oportunidade para celebrarmos o ambiente, para nos lembrarmos que é um todo, um sistema complexo em que interagem o clima, os oceanos, a diversidade dos seres vivos e dos meios envolventes, por vezes de uma forma que vai além da nossa capacidade de antecipação.
Este ano, no momento em que uma pandemia sem precedentes atinge o mundo, estes dias ressoam com uma urgência ainda mais tangível do que antes.
Em menos de um ano, a crise ambiental revelou-se de uma forma espetacular e preocupante. Enquanto os enormes incêndios que devastaram as florestas tropicais húmidas, como se de savanas áridas se tratasse, revelaram o desequilíbrio climático, a pandemia da COVID-19 lança uma luz crua sobre a crise que afeta a biodiversidade.
Na verdade, esta pandemia foi uma oportunidade para observar o que os cientistas de todo o mundo têm vindo a dizer há anos: a interdependência entre a humanidade e a biodiversidade é tão forte que a sua vulnerabilidade é a nossa fragilidade.
Esta crise sanitária é um aviso que temos de ouvir coletivamente: chegou o momento de repensarmos completamente a nossa relação com os seres vivos, com os ecossistemas naturais e com a sua diversidade biológica.
A construção conjunta de um novo pacto com os seres vivos e com o mundo é uma tarefa imensa, que exigirá um amplo consenso, tanto técnico como ético.
A UNESCO é um dos locais onde este consenso pode ser alcançado. De facto, a UNESCO tem de oferecer uma vocação e uma capacidade de aproximação, de diálogo, que tem estado no âmago da sua missão desde a sua criação. A refundação da nossa relação com os seres vivos só pode ser conseguida coletivamente, através do diálogo e do intercâmbio. Enquanto agência intelectual e normativa, "a consciência das Nações Unidas ", como lhe chamou um dos seus ilustres fundadores, Léon Blum, a UNESCO é, sem dúvida, um dos locais onde esta conversa mundial pode ter lugar.
A nossa Organização tem também de oferecer a sua experiência: através do seu Programa O Homem e a Biosfera, a UNESCO pode, de facto, apoiar-se em redes e sítios que testemunham o facto de já ser possível viver em harmonia, em conjunto com a natureza, em ecossistemas regenerados e preservados para que possam ser transmitidos às gerações futuras.
Por último, a UNESCO pode trazer para o primeiro plano as suas competências especializadas, nomeadamente no domínio da educação, já que a educação ambiental é decisiva para esta refundação. Estar mais atento, mais sensível, mais recetivo ao mundo vivo e à sua extraordinária riqueza, ser capaz de admiração e humildade, compreender a sua responsabilidade e perceber o que pode ser feito na prática - tudo isto pode ser aprendido.

Neste Dia Mundial do Ambiente, que este ano celebra a biodiversidade, recordemos que é "nas nossas mãos que está agora não só o nosso próprio futuro, mas o de todos os outros seres vivos com quem partilhamos a terra", como escreve o jornalista David Attenborough, que dedicou parte da sua vida a dar voz à beleza e diversidade da vida.

Mais informações em

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Dia Internacional da Diversidade Biológica - Divulgação da mensagem da Diretora-Geral da UNESCO


Mais informações em: https://fr.unesco.org/commemorations/biodiversityday




Mensagem de Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, por ocasião do 
Dia Internacional da Diversidade Biológica,  que se celebra hoje.
22 de maio
Todos os anos, entre o final de maio e o princípio de junho, a UNESCO celebra três dias internacionais importantes que representam uma oportunidade para refletirmos juntos sobre os três pilares sistémicos das alterações climáticas: a biodiversidade, o ambiente e os oceanos.
Este ano, no momento em que uma pandemia sem precedentes está a afetar o mundo desde há várias semanas, estes dias permitem-nos recordar, uma vez mais, que só com uma abordagem transversal e ambiciosa é possível construir um futuro mais sustentável do ponto de vista ecológico.
Destes três pilares, a questão da biodiversidade talvez tenha sido a mais mencionada nas últimas semanas de confinamento generalizado. O recolhimento na esfera privada e a deserção da maioria dos espaços públicos esbateram temporariamente a divisão do espaço entre o ser humano e as outras espécies.
Temos observado animais inusitados a vaguear pela cidade e, em áreas naturais inteiras, temos visto algumas espécies ressurgir dos seus esconderijos, para nidificar e se perpetuarem.
Emergindo das margens invisíveis a que habitualmente a condenamos, a natureza parecia ter recuperado o seu território durante algum tempo. Dando-nos a ver, num tempo limitado, o que normalmente temos dificuldade em perceber, este parêntese confinado recordou-nos, por contraste, o que o Relatório Mundial da Plataforma Intergovernamental de Política Científica sobre Biodiversidade e Ecossistemas (IPBES), publicado há um ano na UNESCO, já referia: o mundo dos seres vivos está a desaparecer, deixando lugar à proliferação das doenças infeciosas.
Este desaparecimento é uma ameaça direta para nós: o tecido vivo que é a biodiversidade não nos é estranho; dele dependem a nossa alimentação, a nossa saúde e o nosso bem-estar.
Assim, esta pandemia deve obrigar-nos a pensar dentro deste tecido de interdependência e a mobilizar ainda mais para nos afastarmos da trajetória destrutiva em que nos encontramos.
As soluções existem. A UNESCO está a identificá-las, a analisá-las e, sobretudo, a divulgá-las: no dia 22 de maio, terá lugar a uma reunião on-line para difundir todo o conhecimento, todo o know-how que está a ser desenvolvido nos quatro cantos do mundo, no âmbito da Rede Mundial de Reservas da Biosfera, dos sítios Património Mundial, da Rede Mundial da UNESCO e nas comunidades indígenas que têm tanto para nos ensinar sobre outro tipo de relação com a vida.
Neste Dia Internacional da Diversidade Biológica, façamos votos para que esta crise sanitária dê um impulso decisivo no sentido da proteção da biodiversidade e façamos nosso este aforismo de Édouard Glissant, "age localmente, pensa com o mundo".

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento


Mensagem de Audrey Azoulay
Diretora-Geral da UNESCO








Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento

21 de maio de 2020

O Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento é, este ano, celebrado num momento de incerteza e de preocupação.
O encerramento de espaços públicos, instituições culturais, salas de espetáculo e concertos levou, para muitos, à contração do espaço cultural e ao refúgio no seu íntimo.
Felizmente, os meios técnicos que estão hoje ao nosso alcance permitem, aqueles que têm a sorte de poder beneficiar deles, compensar a estreiteza dos espaços confinados. Assistimos assim ao florescimento de iniciativas que reinvestiram as práticas culturais em todo o mundo, destacando a sua grande riqueza. Com tantas ações combinadas, iniciativas originais e criatividade, este tempo de paragem imposta tem mostrado o que faz uma das nossas riquezas enquanto humanidade: a nossa diversidade.
Se a COVID-19 não conseguiu acabar com o diálogo entre culturas, as consequências desta crise a longo prazo, nomeadamente económicas, poderão ser muito prejudiciais para a diversidade. Os períodos de crise são, de facto, propícios à concentração e uniformização. A ameaça está neste perigo insidioso.
Sem um apoio importante, desaparecerão estruturas, perder-se-ão oportunidades de provocar e de ouvir essas formas de ver e de sentir, a diversidade cultural poderá ver-se diminuída, prejudicando a humanidade.
Temos, portanto, sem demora, de proteger esta diversidade, antes que ela desapareça. Por este motivo, a UNESCO lançou o movimento ResiliArt, cujo objetivo é encontrar formas de promover a proteção e a promoção da diversidade cultural neste momento difícil. Reunindo artistas, profissionais da cultura, governos, organizações não governamentais e o setor privado para refletirem juntos sobre as repercussões da pandemia, é o futuro da diversidade cultural que se desenvolve através da inteligência coletiva e da construção conjunta.
A atual crise deve conduzir a uma tomada de consciência e ser acompanhada de novos esforços, para que possam perdurar e desenvolver-se formas culturais variadas e florescerem estruturas culturais, para as quais a crise trouxe à luz do dia dificuldades que, na realidade, em muitos casos, já estavam presentes anteriormente.
Neste dia 21 de maio, Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, a UNESCO lança um apelo a todas e a todos: juntos, vamos celebrar e apoiar a diversidade cultural, que faz a singularidade da nossa humanidade.

terça-feira, 5 de maio de 2020

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Dia Mundial da Língua Portuguesa - Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO



Dia Mundial da Língua Portuguesa

5 de Maio de 2020







Mensagem da Senhora Audrey Azoulay|Diretora-geral da UNESCO

Esta terça-feira, 5 de Maio, assinala-se a celebração do primeiro "Dia Mundial da Língua Portuguesa", cujo intuito é realçar o rico contributo da língua portuguesa para a civilização humana.

A celebração deste primeiro Dia realiza-se como é evidente num contexto particular - o da pandemia da COVID-19 -, que está a levar a humanidade a enfrentar a sua crise mais grave desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Nestes momentos de angústia pelo presente e de dúvidas com o futuro, a língua portuguesa pode ser o fermento de uma nova resiliência, através do poder de evocação e de unidade da cultura.

Numa altura em que, mais do que nunca, precisamos de nos unir, perante um vírus que ignora os passaportes, a língua portuguesa pode assim ajudar a forjar essa "solidariedade intelectual e moral da humanidade" a que se refere a Constituição da UNESCO.

Com efeito, a língua portuguesa constrói pontes entre os povos. Produto de uma história multissecular e transcontinental, o mundo lusófono é hoje o cadinho de muitas culturas, que se enriquecem mutuamente através das suas diferenças.

"Minha pátria é a língua portuguesa", como escreveu o grande poeta Fernando Pessoa na sua obra-prima, O Livro do Desassossego. Esta "pátria" tem hoje mais de 265 milhões de falantes, o que a torna a língua mais falada no hemisfério sul.

Assim, a língua portuguesa tende para a universalidade, fervilhando de criatividade em todas as latitudes, de Angola ao Brasil, de Portugal a Moçambique, de Timor-Leste a Cabo Verde.

Este Dia recorda-nos, por isso, o quanto a diversidade cultural, na era da globalização, é um recurso precioso que devemos proteger e promover. É com este espírito que a UNESCO trabalha incansavelmente para favorecer a diversidade linguística e o multilinguismo no conjunto do seu mandato.

Tal como precisamos de unidade na diversidade para fazer face à pandemia, também precisamos do poder evocativo das línguas no momento presente.

Porque uma língua é mais do que um meio de comunicação: é uma forma de ver e sentir, um reservatório de símbolos e experiências, um caleidoscópio de sonhos e utopias criadoras.

Através das suas literaturas, filmes e músicas, a língua portuguesa oferece-nos desta forma a sua variedade e riqueza para nos permitir, neste tempo de confinamento, escapar e recarregar energias.

Que este Dia seja uma oportunidade para o aproveitar ao máximo: um excelente Dia Mundial da Língua Portuguesa para todas e todos.

sábado, 2 de maio de 2020

Comemoração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa - 7 Dias com os Media 2020

Neste Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a Comissão Nacional da UNESCO convida-nos a visitar e a divulgar o website da Operação 7 dias com os media, promovida pelo GILM - Grupo Informal sobre literacia Mediática.

Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa


3 de maio de 2020
Dia Mundial da Liberdade de Imprensa


Mensagem de Audrey Azoulay
 Diretora-Geral da UNESCO

Num momento em que a pandemia de COVID-19 nos faz mergulhar na ansiedade e na incerteza, a informação livre é essencial para enfrentarmos, compreendermos e ultrapassarmos a crise .

Antes de mais, estamos conscientes da sua importância vital: informar é dar a todos e a cada um, meios para combater a doença, adotando os comportamentos adequados.

Por este motivo, a nossa Organização associou-se à restante família das Nações Unidas na luta contra a "infodemia", os rumores e a desinformação, que está a agravar a pandemia e a pôr vidas em risco. Estamos a unir as nossas forças para promover duas grandes campanhas nas redes sociais: “Together for Facts, Science and Solidarity” e “Don’t go viral”.

Para multiplicar a eficácia destes esforços, a nossa Organização criou também um Centro de Recursos para os Media face à COVID-19, para ajudar os jornalistas a detetarem a informação falsa e informar sobre a crise de maneira segura e eficaz, tal como o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa deste ano nos convida a fazer: "jornalismo sem medo nem favor".

Este tema é uma celebração oportuna do trabalho daqueles que defendem a liberdade de informação, para uma imprensa independente que transmite e questiona os factos.

Esta liberdade de imprensa é demasiadas vezes violada. Quer seja através do controlo político, ideológico ou económico, de ataques difamatórios destinados a desacreditar o seu alvo, ou através de assédio. Existe, demasiadas vezes, uma tentativa de silenciar os jornalistas, especialmente as mulheres. Infelizmente, as circunstâncias excecionais que estamos a viver hoje agravam ainda mais esta pressão sobre os jornalistas.

A atual crise está também a aumentar a incerteza para a imprensa no plano económico. Por exemplo, no preciso momento em que a transição digital se acelera, as receitas publicitárias, das quais dependem muitas publicações, estão a diminuir ou até mesmo a cair a pique. Com o passar do tempo, os jornais poderão ser forçados a reduzir ou a cessar a sua atividade, privando as comunidades de um olhar diferente sobre o mundo, de uma profundeza de campo necessária à diversidade de opiniões.

Ora, num mundo tão interdependente como aliás o revela esta crise, todas as ameaças ou ataques à diversidade e à liberdade de imprensa, e à segurança dos jornalistas, nos dizem respeito a todos.

Assim, o sistema das Nações Unidas, bem como as novas alianças de associações de media, de governos e de atores do âmbito jurídico, académico ou da sociedade civil, apoiam os jornalistas de todo o mundo na sua luta pela sua independência e pela verdade.

Faço hoje um apelo para que estes esforços sejam redobrados. Neste momento crucial e
também para o dia de amanhã, precisamos de uma imprensa livre e de jornalistas que, por sua
vez, possam contar com todos nós.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Divulgação do vídeo do 25 Abril da Casa da Juventude de Guimarães

Para assinalar a data, aqui deixamos o acesso ao vídeo a pedido dos autores. 

"A Casa da Juventude de Guimarães vem por este meio divulgar o nosso vídeo do 25 Abril.
Este vídeo foi feito pelos jovens da Casa da Juventude, e mostra de forma simples, elucidativa e pedagógica, as razões e fundamentos desta data que nos devolveu a liberdade.
Pelo seu efeito de mostrar em poucos segundos a importância deste acontecimento, julgamos poder ser do vosso interesse divulgar junto daqueles que considerem pertinentes.

A Casa da Juventude de Guimarães desde já agradece a todos os que tornaram tudo isto possível."


O video pode ser visto em

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor - Divulgação da mensagem da Diretora-Geral da UNESCO






Mensagem de Audrey Azoulay, por ocasião do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor
23 de abril de 2020

Neste período de incerteza, muitas são as pessoas que recorrem aos livros para superar o confinamento e a ansiedade.
Na verdade, os livros têm esta capacidade única de nos entreter, de nos instruir, de ser simultaneamente um instrumento para a evasão, para o encontro com um autor ou autora, um universo ou uma cultura, bem como um meio para mergulharmos mais profundamente em nós mesmos. Deste modo, página a página, os livros traçam o caminho para deambularmos pela intimidade do pensamento humano de todos os tempos e lugares: chamamos a isto liberdade.
É de toda esta magia dos livros que necessitamos agora, numa altura em que, coletivamente, nos lembramos até que ponto a literatura, tal como todas as artes, são para nós essenciais.
Ao celebrarmos os livros, celebramos também os seus autores e autoras, que nos oferecem fragmentos de vida, universos, uma janela e um olhar sobre o mundo. Por este motivo, esta celebração ocorre no dia 23 de abril, data do aniversário da morte de William Shakespeare, Miguel de Cervantes e Inca Garcilaso de la Vega, autores que alimentam a nossa imaginação há quatro séculos.
Com eles, prestamos também homenagem a todas as profissões relacionadas como livro, designadamente a edição, a publicação e a tradução, as quais garantem a divulgação do nosso património literário, permitindo que as novas criações encontrem um lugar para se expressarem, favorecendo a circulação das ideias.
Mais do que nunca, estas profissões devem ser protegidas e valorizadas no atual período de pandemia da COVID-19, que representa uma ameaça profunda e duradoura a esta economia do encontro que é a cultura.
É por esta razão que a UNESCO valoriza o trabalho dos editores, nomeadamente através das parcerias que tem vindo a estabelecer com a Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) e a União Internacional de Editoras (IPA).
Para que o poder da leitura seja plenamente exercido, e para que todos possam encontrar nela um refúgio, sonhos, conhecimento e reflexão, é importante ter acesso aos livros. Este é o significado do compromisso assumido por Kuala Lumpur, que neste dia 23 de abril se torna a Capital Mundial do Livro 2020, sobretudo devido à sua determinação em promover a literacia e fomentar o desenvolvimento de uma cultura inclusiva do livro.
Num momento em que a leitura é absolutamente inestimável, é clara a importância vital do nosso compromisso comum com a integração na leitura e através da leitura.
Para a edição deste ano do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, convido todos e cada um de vós a pegar num livro e, ao virar as suas páginas, encontrar nele a lufada de ar fresco que o sustentará no presente e no futuro.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Lisboa Literária

No dia 6 de março, os alunos do 12.º ano CT1 e CT4 realizaram um «passeio literário» por Lisboa, partindo à descoberta com roteiros nas mãos e o olho fotográfico atento.


Entenda-se o produto final que aqui se publica como uma homenagem a todos os trabalhos desenvolvidos à distância, porque ela não existe quando a vontade está lá.
Parabéns a todos.
Maria Manuel Paz

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Literatura e Cinema - Mês Internacional das Bibliotecas Escolares

Inserido nas comemorações do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares, realizou-se, nos dias 10 e 11 de outubro, o 4.º Encontro de Bibliotecas Escolares do concelho de Almada.

A primeira intervenção do encontro, constou de uma apresentação sobre Literatura e Cinema realizada por Elsa Mendes, coordenadora do Plano Nacional de Cinema com moderação de Sara Cacela, professora bibliotecária coordenadora do agrupamento.




Nesta apresentação em que se conjugam duas formas de expressão que recriam o mundo, Literatura e cinema, Elsa Mendes, para além dum quadro teórico de referências, apresentou a sua perspectiva, uma abordagem relatada quase como uma história da relação entre estas duas formas de arte, em que o importante se centra no caminho serpenteante entre estas duas artes, no sentido de diluir fronteiras. Do seu ponto de vista, o mais importante é a relação entre estas duas formas de expressão artística os aspetos relativos à fidelidade, ao rigor, à transposição de linguagens e ao equilíbrio no diálogo de objetos.

No que respeita ao cinema, área em que se considera mais abalizada para falar, apresentou cinco ideias chave essenciais à leitura da obra fílmica: ponto de partida, referências do autor, critérios estéticos/rigor, relatividade do juízo de valor em relação à obra de arte e estratégias utilizadas. Nesta forma de expressão, salientou a importância da ponte estabelecida entre o sentido/significado e os recursos fílmicos.

Para concluir frisou que, no fundo, qualquer destas artes decorre da necessidade do ser humano em narrar, da procura da emoção, qualquer que seja o tipo de linguagem, textual ou audiovisual. Isto implica a mobilização de várias áreas para a leitura destas narrativas, seja no livro, seja no filme. Daí a pertinência de estimular a interdisciplinaridade, educar para esta(s) leitura(s), constituindo-se o sistema educativo como uma alavanca deste processo.
                                                                                                                                   |Sara Cacela

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Cinema P’ros da Casa - Plano Nacional de Cinema

Cinema P’ros da Casa é uma iniciativa pensada para dinamizar e incrementar partilhas verticais de ensino-aprendizagem no Agrupamento de Escolas Emídio Navarro. Pensámos, ao delimitar as atividades para o PNC (Plano Nacional de Cinema), que seria interessante fazer do cinema uma trave mestra dessas atividades. O objetivo foi levar a cabo sessões de cinema constantes no PNC aos alunos mais pequenos, sendo as mesmas dinamizadas, do ponto de vista pedagógico, por alunos de níveis de ensino mais avançado. A supervisão pedagógica é da responsabilidade de um docente do conselho de turma.
No passado dia 29 de março, a turma do 11.º CT2 foi dinamizar uma destas sessões à turma do 3.º A da Escola Básica n.º 3 da Cova da Piedade, da professora Regina Lima. Os alunos do secundário propuseram-se pensar o filme de Charlie Chaplin, O Imigrante. As razões para escolherem este filme prendem-se, naturalmente, com a necessidade de pensar a situação e ponto de cidadania em que cada um de nós, por ser europeu, se encontra. Com efeito, ser europeu significa hoje ter a condição de se ser emigrante e, ou receber imigrantes. O tema ainda interessou pelo facto de cada turma ter já imigrantes ou ter familiares emigrantes. Há ainda uma terceira razão que cabe à escola explorar como forma de combater a discriminação, o racismo e a xenofobia, a saber, a de mostrar como cada um é resultado de miscigenação, quer este dado biológico e histórico seja mais ou menos consciente. Apresentar este filme poderia fazer pensar quem somos, quantos somos dentro de cada um? Os alunos criaram uma seleção de imagens do filme associadas à agenda de discussão que, paralelamente, foi sendo criada. Os pequenos pensaram a partir de frames temas como o que é ser imigrante (?); como tratar os imigrantes (?); por que razão as regras devem ser universais e sem exceções (?); o que os torna bons e o que nos torna maus(?); o que nos torna iguais e diferentes(?).
Neste caderno de síntese deixamos os contributos que conseguimos apreender e que foram registados, mesmo quando a velocidade de pensamento e vertiginosa vontade de participar dos mais pequenos, nos ultrapassou e deixou sem resposta, ou capacidade para escrever o que foi pensado e discutido. Ao profissionalismo, empenho e cuidadosa atenção com os alunos do 11.º CT2, deixo a minha gratidão e, aos mais pequenos, com quem caminho há 3 anos deixo um sorriso de alegria por vê-los pensar tão ousadamente e com razões. Pode ser que existam mais viagens pelo cinema e pelo olhar do cinema, outras razões para pensar o humano e o que nos torna mais humanos. O cinema une e as imagens libertam, como abril, leituras mil, na expressão de uma professora que muito deixou a esta escola, a professora Ruth Navas. Cinema P’ros da Casa propõe-se desenvolver, para combater o cansaço dos dias e os mecanismos da rotina que nos entregam à morte do que pode ser mais original e criativo nos processos de ensino e aprendizagem, atividades das mil e umas leituras que há no movimento das imagens e das imagens em movimento. E, porque o pensamento é imagem, deixamos-vos estas que as palavras tentam guardar na película do tempo.
Isabel Santiago, professora de Filosofia/equipa do PNC

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Comemoração do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto - PNC A Vida é Bela, de Roberto Benigni











«Para evocar as vítimas do Holocausto, já depois do dia 27 de janeiro de 2019, os alunos do 8.º ano, do Agrupamento de Escolas Emídio Navarro, visionaram o filme do Plano Nacional de Cinema, A Vida é Bela, de Roberto Benigni. Considerou-se ajustado pensar esse acontecimento histórico na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento/Oficina de Cidadania, por várias razões pedagógicas e como exercício prático de cidadania. Com efeito, esse acontecimento passado configura-se, outra vez, como um acontecimento presente e recebemos notícias preocupantes de pedidos de ajuda de judeus em fuga do Reino Unido onde são vítimas de perseguição e ódio. O acontecimento tem 70 anos e, 70 anos depois continua, como se de um incêndio se tratasse, com frentes de destruição ativas no cenário político da Europa. Não é assim de estranhar que uma Escola Centro UNESCO se debruçasse sobre o papel dos campos de concentração e desencadeasse mecanismos de reflexão crítica sobre o seu significado político, ético e humano para serem expressas, de forma clara e inequívoca, razões pelas quais não os desejamos e a nossa cidadania, livre e consciente, os recusa.




Após o visionamento do filme os alunos foram levados a pensar, com a ajuda dos seus professores, argumentos de natureza política e ética que justificassem, com razões, o porquê de não dever haver campos de concentração. O resultado dessa reflexão apresenta-se sob a forma de postais criados por eles e nos quais encontramos elencadas razões de cidadania e razões que, por serem de cidadania, recolocam a tónica da sua recusa na fundamental necessidade de pensar o humano com DIGNIDADE e RESPEITO, recusando todas as formas totalitárias e nacionalistas-populistas que põem em causa aqueles valores universais. De uma forma mais profunda pensamos criar pontos de alerta cívica nos nossos alunos que, nesta fase do seu desenvolvimento, devem começar a pensar que, contra a intolerância, a desumanidade, o racismo, a xenofobia, não pode haver indiferença ou a falsa tolerância de pensar que todas as posições são eticamente equivalentes. Pensamos que, com este exercício pedagógico de pensar a vida política a partir de um filme que explora as consequências da política concentracionária na vida de uma família, se criaria, nos nossos jovens de 13 anos, um rastro interior e pessoal de maior consciência contra todas as formas de indignidade e todos os estilos políticos menos democráticos. Pretendeu-se duplicar o seu olhar sensível – porque um filme é uma matéria que desperta a sensibilidade – num olhar mais inteligível ou reflexivo sobre este tema e este problema: pode o poder político decidir da vida e da morte dos seus cidadãos? Que limites devem ser colocados para se pensar a nossa vida com os outros? 
Depois de recebermos os postais dos nossos alunos não pudemos deixar de acalentar a renovada esperança de que educar é o único caminho para que se evitem produzir afirmações como estas últimas que transcrevemos. Não se pode governar a partir da insensibilidade ética, não se pode governar, fazendo dos outros meios para fins políticos de autoafirmação e bélicos, não se pode governar para reeducar opções individuais e expressão livre do que se é, não se pode governar para destruir no outro naquilo que cada um é. Ao ler os postais pensamos poder afirmar que os nossos alunos, com 13 anos, sabem que qualquer ser humano tem direito à sua dimensão psicológica, social, moral e espiritual e nunca afirmarão que «nada têm para refletir» a partir de uma ordem dada. Porque eles devem sempre valorizar a pensar sobre o obedecer, porque devem sempre lembrar que «não é o trabalho que liberta», são os campos de concentração, lugares de morte, a que dizemos NÃO.


Centro UNESCO 
em colaboração com todos os docentes de Cidadania e Desenvolvimento e Oficinas de Cidadania 
fevereiro-abril de 2019

sexta-feira, 5 de abril de 2019

"Sonhar uma Terra Melhor" - Laboratórios Abertos de Ciência da ESEN 2019

 Os Laboratórios Abertos de Ciência da ESEN 2019 decorreram nos dias 3 e 4 de abril, tendo por tema aglutinador “Sonhar uma Terra Melhor”.


Este evento para além de dar a conhecer os trabalhos realizados pelos alunos dos 8º, 9º, 10º,
11º e 12º anos da ESEN, pretendeu divulgar conhecimento científico e promover o gosto pelas ciências experimentais, principalmente junto dos alunos do 1º ciclo, 2º ciclo e 3º ciclo das outras escolas do Agrupamento.

O conjunto de atividades, maioritariamente interativas, que foi dado conhecer aos visitantes,
para além de muito vasto foi também muito diversificado. Assim, os visitantes puderam:

- viajar pelos 5 Reinos de Whittaker;
- assistir a um teatro sobre aspetos relevantes da vida de Darwin fundamentais para
formulação da teoria sobre a evolução das espécies;
- participar na exposição de trabalhos interativos sobre o conhecimento, o respeito e equilíbrio
sustentável do nosso planeta;
- envolver-se na procura de uma alimentação saudável, base do equilíbrio dos sistemas de
órgãos do corpo humano e no conhecimento desses sistemas;
- participar na exposição de trabalhos interativos sobre corrente elétrica em contexto;
- observar diferentes instrumentos musicais construídos pelos alunos;
- participar nas experiências laboratoriais de Física nos domínios da mecânica, ondas e
electromagnetismo;
- observar experiências simples que exploravam vários domínios da Química;
- provar produtos produzidos através de gastronomia molecular.
- visualizar pequenos vídeos sobre o problema das alterações climáticas e ações a empreender
para o mitigar.


O número de visitantes dos “Laboratórios Abertos de Ciência da ESEN 2019” excedeu as expectativas na medida em que este evento foi visitado por 32 turmas de outras escolas do Agrupamento (10 da Pré-primária; 17 do 1º Ciclo; 5 turmas do 9º ano da EDAC), num total de650 alunos.





Os laboratórios e suas atividades foram ainda visitados por várias turmas da ESEN e muitos dos
nossos alunos participaram ativamente na preparação e na dinamização deste evento.



Pelos Departamentos Disciplinares 510 e 520,
A coordenadora do Departamento Curricular de Ciências Experimentais
Maria Regina Lucena

sexta-feira, 8 de março de 2019

Dia Internacional da Mulher - Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO




O Dia Internacional da Mulher celebra este ano o contributo das mulheres para a sociedade – em especial no espaço digital - e propõe uma reflexão sobre a forma de garantir às mulheres o pleno usufruto dos seus direitos.
As tecnologias digitais têm influência sobre a forma como trabalhamos, aprendemos, ensinamos e vivemos juntos. Infelizmente, as mulheres nem sempre beneficiam plenamente desta revolução tecnológica. Na realidade, segundo um relatório recente da Comissão de Banda Larga para o Desenvolvimento Sustentável, desenvolvido em colaboração com a UNESCO, concluiu-se que o fosso digital entre homens e mulheres está a aumentar: em 2016, o número de homens on-line ultrapassava em 250 milhões o número de mulheres. As mulheres não só são menos conectadas como beneficiam menos da literacia e da formação digital, têm menos probabilidades de ser contratadas por empresas tecnológicas e, geralmente, a sua remuneração é menor do que a dos seus colegas do sexo masculino.
As mulheres estão em desvantagem, incluindo em algumas das áreas mais avançadas da ciência – tecnologias digitais e inteligência artificial. Assim, a título de exemplo, apenas 22% dos profissionais da inteligência artificial são mulheres. Este ano, a UNESCO ambiciona restabelecer o equilíbrio ao recordar as mulheres pioneiras que afastaram os limites do nosso conhecimento em áreas como a computação quântica, a inovação digital e a inteligência artificial. Ao destacarmos os sucessos destas mulheres, esperamos incentivar uma nova geração de jovens mulheres nos domínios da ciência, da tecnologia, da engenharia e da matemática (CTEM), onde ainda estão subrepresentadas. Trabalhamos para incentivar jovens raparigas e mulheres a optarem por estas áreas e, em particular, a desenvolverem as suas competências digitais através, por exemplo, do projeto "Girls Can Code", recentemente lançado.
No âmbito cultural, também apoiamos o acesso das mulheres à criação digital e promovemos a igualdade de género digital nas indústrias criativas, através da iniciativa "You are next". Em colaboração com Sabrina Ho, a UNESCO ajuda centenas de jovens mulheres do México, Palestina, Senegal, Afeganistão e Tajiquistão a adquirirem competências artísticas, digitais e empresariais indispensáveis ao seu sucesso no mundo digital.
Apesar destas iniciativas e da existência de muitos modelos femininos na esfera do digital, as mulheres estão, cada vez mais, a abandonar as plataformas on-line para se protegerem dos ciberataques e do assédio. Uma em cada dez mulheres da União Europeia afirma ter sido vítima de cyberbullying desde os 15 anos, um fenómeno particularmente frequente nas jovens mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 29 anos. A UNESCO, na qualidade de agência das Nações Unidas dedicada à informação e à comunicação, está na vanguarda da luta contra a discriminação de género e do assédio on-line e da luta para a eliminação de estereótipos que se difundem nos media.
Para fazer parte desta luta contra os estereótipos, convido-vos a juntarem-se ao movimento mundial #Wiki4Women. Na Wikipedia, apenas uma em cada seis biografias é dedicada a uma mulher. Ao criar ou completar biografias de mulheres extraordinárias nas esferas da cultura, da educação e da ciência, na Wikipedia, a UNESCO pretende conferir-lhes a existência digital que merecem. Baseando-se no sucesso da iniciativa “Edit-a-thon”, levada a cabo no ano passado, na sede da UNESCO, a Organização colabora novamente com a Fundação Wikimedia na promoção de oficinas “Edit-a-thon” no Cairo, em Deli, em Banguecoque, em Lima e em Almaty, assim como em Paris.
A UNESCO está empenhada em contribuir, de forma positiva e duradoura, para o empoderamento das mulheres e para a igualdade de género. Cada um de nós pode fazer a diferença, rejeitando o preconceito e a discriminação, garantindo que os espaços online sejam seguros para todos, celebrando as realizações das mulheres e incentivando a contribuição das mulheres na esfera digital e em todas as esferas davida.


Audrey Azoulay

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto


27 de janeiro de 2019

A UNESCO comemora hoje a descoberta do campo de concentração e de extermínio de Auschwitz-Birkenau pelas tropas soviéticas, a 27 de janeiro de 1945.



Auschwitz-Birkenau, o maior complexo de campos de concentração da Europa ocupada, é um lugar de memória para numerosos grupos perseguidos pela Alemanha nazi. Este campo foi também o maior centro de extermínio industrializado, construído para assegurar a execução do genocídio dos judeus da Europa. Cerca de 1,1 milhão de pessoas foram assassinadas neste lugar, das quais cerca de um milhão de judeus, mortos simplesmente por terem nascido judeus.

O Holocausto foi o produto de uma ideologia baseada no racismo biológico, cujo elemento principal foi o ódio aos judeus. Resultou também das políticas de conquista e de perseguição que assolaram a Europa e o mundo na guerra mais mortífera que a humanidade jamais conheceu.

Paradoxalmente, à medida que a investigação sobre esta trágica história progride, há quem insista em contestar a realidade dos factos. Os negacionistas do Holocausto continuam a espalhar desinformação nas redes sociais. Na Europa, alguns inclusivamente enveredam por um discurso ofensivo, negando a participação das populações e das autoridades locais nos massacres, com desprezo por factos indiscutíveis. Outros acusam “os judeus” de explorarem o Holocausto com vista à obtenção de vantagens financeiras ou políticas, em benefício, por exemplo, do Estado de Israel. Três gerações após os factos, preservar a memória do Holocausto continua a significar, ainda hoje, persistir na luta contra este tipo de antissemitismo cujos defensores persistem em manchar a memória dos mortos para melhor atacar os judeus da atualidade.

A preservação desta memória passa pelo apoio à investigação histórica. Passa também pelo ensino da História do Holocausto e de outros genocídios e crimes em massa. As questões levantadas por este ensino revestem-se de grande atualidade tendo em conta a propaganda das ideologias extremistas, a defesa das teorias da conspiração mais infames nas redes sociais, a erosão das instituições democráticas e o enfraquecimento do diálogo internacional.

Este é um trabalho que a UNESCO desenvolve diariamente, com os líderes na área da educação de todo o mundo, através da investigação pedagógica, da formação ou ainda das cátedras UNESCO, no quadro dos seus programas de educação para a cidadania global. Fá-lo igualmente através do seu Programa Memória do Mundo, que inclui, desde 2017, os arquivos do processo de Auschwitz em Frankfurt.

Entre estes documentos protegidos pela UNESCO encontram-se os arquivos do Ghetto de Varsóvia, reunidos na clandestinidade pelo grupo Oneg Shabbat, dirigido pelo historiador Emanuel Ringelblum. Este ano, através da transmissão mundial do filme Who Will Write Our History, a UNESCO decidiu homenagear estes resistentes que, desde as profundezas do inferno, souberam contrariar o ódio e a violência com o conhecimento e a cultura. A mensagem de humanidade que nos deixaram, após a sua morte brutal, é a razão de ser da UNESCO.

Neste dia de memória, convido todos os atores da educação, da cultura e da ciência a redobrarem a sua determinação no combate às ideologias de ódio e no seu contributo para uma cultura da paz.

Audrey Azoulay

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Dia Internacional dos Direitos Humanos - Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO






Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO



A Declaração Universal dos Direitos Humanos encarna a eterna aspiração da humanidade à liberdade, à justiça e à dignidade. Não é fruto de uma única cultura ou tradição, mas antes um alicerce que nos permite usufruir de uma vida plena, e a todas as nações do mundo viver em paz. Há 70 anos, as nações do mundo uniram-se para definir este conjunto de direitos humanos fundamentais, inalienáveis e universais.
A promessa inscrita no Ato Constitutivo da UNESCO de “assegurar a todos os homens o pleno e igual acesso à educação, a procura sem restrições da verdade objetiva e a livre troca de ideias e de conhecimentos” assenta nestes direitos. A nossa missão consiste em promover a paz e os valores humanistas no espírito dos homens e das mulheres através da educação, das ciências, da comunicação e da cultura. Esta missão é tão importante na atualidade como na época em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada pela comunidade internacional, numa altura em que o mundo se reconstruia a partir dos destroços e do trauma de duas guerras mundiais devastadoras.
A nossa ação visa alargar o direito à educação àqueles que foram deixados para trás, em particular as mulheres e as raparigas. Num momento em que o mundo se prepara para adotar dois novos pactos mundiais em prol dos direitos dos refugiados e dos migrantes, a UNESCO envida igualmente esforços para alargar as possibilidades educativas a essas populações.
Defendemos o direito à liberdade de expressão, denunciando os ataques perpetuados contra jornalistas e agindo para que a Internet continue a ser um espaço de diálogo aberto. Todos os indivíduos deveriam poder usufruir dos benefícios do progresso científico e das suas aplicações. O direito à água e ao saneamento, assim como a um oceano limpo que preserve os meios de subsistência, é de extrema importância para os direitos humanos e faz parte das nossas prioridades. A UNESCO compromete-se também a proteger e a promover a liberdade cultural fundamental, nosso património comum, assim como todas as formas contemporâneas de expressão, que constituem a manifestação suprema da nossa humanidade comum.
Infelizmente, uma vez mais na nossa História, os direitos humanos encontram-se em perigo. No mundo inteiro, é possível ver o quão facilmente podem ser derrubados por estereótipos desumanizantes e pelo aumento dos discursos intolerantes. Os conflitos, o extremismo violento e os desastres naturais podem semear o caos e pôr em risco os direitos das pessoas mais vulneráveis das nossas sociedades. As novas tecnologias, nomeadamente a inteligência artificial, também podem representar um perigo se não forem concebidas no pleno respeito dos direitos humanos. Temos que permanecer vigilantes para que os progressos realizados nos últimos 70 anos não sejam postos em causa, e fazer com que a UNESCO continue a ser o principal laboratório internacional de ideias para enfrentar estes desafios.
Eleanor Roosevelt, uma das principais autoras da Declaração Universal dos Direitos Humanos, declarava: “Ser humano não é apenas um direito, é um dever. Só assim poderemos contribuir de forma útil para a vida.” Neste importante aniversário, exerçamos todos este direito contribuindo assim para a realização dos direitos humanos para todos.

Audrey Azoulay

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Dia Mundial da Filosofia 2018


Pensar a Paz e a Guerra
De forma a dar continuidade a uma experiência de celebração deste Dia Mundial, o Departamento de Filosofia do Agrupamento de Escolas Emídio Navarro, escolheu o tema Guerra e Paz. O tema foi escolhido por envolver valores em contraponto, valores que importa avaliar e explorar para um melhor entendimento do mundo em que os alunos vivem. Por outro lado, se a paz é um dos valores de referência da escola e desta em particular por ser um Centro UNESCO, a guerra não pode ser esquecida, nem podemos e não conseguimos, por muito grandes que sejam os esforços dos filósofos ao longo do tempo por enfatizar argumentativamente a importância de valores, como a tolerância e o respeito pelo outro e a sua consideração como pessoa e como ser singular e cultural, , esquecer o mal que resulta da guerra.
Este ano escolhemos o tema e também o apresentámos como tema-problema às crianças do nosso Agrupamento. A partir do belo poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paz sem Vencedor e sem Vencidos, pedimos uma reflexão sobre os dois valores: guerra e paz. Como tarefa final, pedimos que cada uma contribuísse para a construção de um poema. O resultado final é surpreendente. Os versos são da responsabilidade dos alunos de uma turma do 3.º ano, a turma A, da Escola dos Caranguejais, ou mais corretamente da Escola EB n.º 3 da Cova da Piedade. O que não é da responsabilidade dos alunos é o arranjo dos versos que se organizaram segundo um princípio de semelhança temática entre os mesmos à medida que os alunos construíam o poema em voz alta.
Ao lê-lo, não podemos deixar de sentir que há na voz do pensamento inocente aquela velha ideia da Filosofia que nos diz que o bem é inato e está no coração dos homens, que o bem está no âmago da vida e é primeiro e mais primordial do que o mal. Mas a questão que mais perturba é pensar como pode uma criança sentir isto, saber isto com o entusiasmo de um grito que não se pode silenciar, e os adultos não o gritarem nem construírem uma narrativa consistente da paz na História da Humanidade. Mais do que palavras e argumentos, e porque a poesia foi no Ocidente a primeira forma consistente de pensar e deixar um legado ao futuro, deixamos à consideração de todos e ao coração dos homens este poema realizado por crianças de 8 anos de dedo no ar como um manifesto, com a força de quem acredita que os gestos humanos podem ter uma dimensão universal.
Resposta a Sophia
Não se matem!
Não vão à guerra!
Não se tornem assassinos!
Não façam o mal!
Não usem armas!
Não façam a violência!
Não pratiquem terrorismo
Não matem e
Não culpem inocentes!
Não se destruam uns aos outros!
Não destruam os sonhos dos outros!


Na guerra há horror e morte, há escravos e império!
Há sangue!
Não há liberdade e não há justiça!


Ninguém é melhor do que ninguém!
Ajuda por isso o teu amigo e inimigo!

Façam a paz!
Façam a bondade!
Respeitem todos:
A cultura das pessoas e dos lugares!
Amem-se uns aos outros:
Espalhem carinho
Como quem espalha pólen!
Façam crescer a amizade como se faz crescer o bicho-da-seda:
Começa pequenina e acaba grande!
A paz é como a onda gigante
Que a todos acolhe no mesmo mar!
A paz liberta o nosso coração!
Construam a paz!
Esta é uma ordem para todos os homens e para todas as mulheres!
Com a paz a vida fica melhor!
A paz é a ética!

Turma A do 3.º ano
8 de novembro de 2018
A Coordenadora UNESCO
Isabel Santiago


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Mundial da Filosofia

dia mundial da filosofia 2018 ultima

A filosofia alimenta-se da necessidade que o ser humano tem de compreender o mundo que o rodeia e de identificar princípios para orientar a sua ação. Esta necessidade ancestral continua a ser premente: cerca de 3000 anos após o aparecimento desta disciplina na China, no Médio-Oriente e na Grécia Antiga, os questionamentos levantados pela filosofia não perderam em nada a sua pertinência e a sua universalidade – muito pelo contrário.
Num mundo cada vez mais complexo, onde reina a incerteza, onde as evoluções sociais e as revoluções tecnológicas confundem as referências estabelecidas, onde os desafios sociais e políticos são imensos, a filosofia continua a ser um recurso extremamente valioso. É simultaneamente um espaço de retiro e desaceleração e uma luz suscetível de nos orientar.
A filosofia ajuda-nos a superar a tirania do instante e a analisar os desafios que se nos colocam com o necessário distanciamento histórico e rigor intelectual. Dá-nos as chaves da interpretação e sintetiza, numa linguagem acessível, saberes fragmentados numa infinidade de áreas: a biologia, a genética, a informática, as ciências cognitivas, o direito, a economia, as ciências políticas… Além destes conhecimentos especializados, permite entender os desafios claramente humanos, os desafios de sentido, de norma.
A filosofia também nos ajuda a refletir, precisamente, sobre as normas que sustentam a nossa vida coletiva: ao levantar questões de justiça, de paz, de ética, de moral. Estas questões são particularmente relevantes na sociedade atual, onde os progressos alcançados no domínio da inteligência artificial parecem redefinir as fronteiras do humano.
Por fim, a filosofia implica uma abordagem e uma atitude específicas: a abertura ao diálogo e ao intercâmbio de argumentos, a predisposição para acolher o que parece estranho e diferente, a coragem intelectual de questionar os estereótipos e de desconstruir os dogmatismos.
Por todas estas razões, a filosofia é um recurso indispensável para aprendermos a viver juntos e para todas as sociedades livres e pluralistas – ou que aspiram a sê-lo.
A UNESCO, cujo mandato está em consonância com a vocação universalista da filosofia, sempre atribuiu uma atenção particular a esta disciplina. Por este motivo, a nossa Organização tem a honra de celebrar, uma vez mais, na sua Sede, em Paris, nos dias 15 e 16 de novembro, o Dia Mundial da Filosofia. Worshops, mesas redondas e conferências irão animar uma noite e dois dias excecionais durante os quais os amantes de filosofia, de todas as idades e contextos culturais, poderão explorar todo o tipo de assuntos e desfrutar do debate de ideias e da reflexão.
Neste Dia Mundial da Filosofia, que a célebre frase de Sócrates – “Só sei que nada sei” – nos incite a avançar alguns passos juntos na vertiginosa imensidão do conhecimento.

Audrey Azoulay