segunda-feira, 20 de maio de 2019

Cinema P’ros da Casa - Plano Nacional de Cinema

Cinema P’ros da Casa é uma iniciativa pensada para dinamizar e incrementar partilhas verticais de ensino-aprendizagem no Agrupamento de Escolas Emídio Navarro. Pensámos, ao delimitar as atividades para o PNC (Plano Nacional de Cinema), que seria interessante fazer do cinema uma trave mestra dessas atividades. O objetivo foi levar a cabo sessões de cinema constantes no PNC aos alunos mais pequenos, sendo as mesmas dinamizadas, do ponto de vista pedagógico, por alunos de níveis de ensino mais avançado. A supervisão pedagógica é da responsabilidade de um docente do conselho de turma.
No passado dia 29 de março, a turma do 11.º CT2 foi dinamizar uma destas sessões à turma do 3.º A da Escola Básica n.º 3 da Cova da Piedade, da professora Regina Lima. Os alunos do secundário propuseram-se pensar o filme de Charlie Chaplin, O Imigrante. As razões para escolherem este filme prendem-se, naturalmente, com a necessidade de pensar a situação e ponto de cidadania em que cada um de nós, por ser europeu, se encontra. Com efeito, ser europeu significa hoje ter a condição de se ser emigrante e, ou receber imigrantes. O tema ainda interessou pelo facto de cada turma ter já imigrantes ou ter familiares emigrantes. Há ainda uma terceira razão que cabe à escola explorar como forma de combater a discriminação, o racismo e a xenofobia, a saber, a de mostrar como cada um é resultado de miscigenação, quer este dado biológico e histórico seja mais ou menos consciente. Apresentar este filme poderia fazer pensar quem somos, quantos somos dentro de cada um? Os alunos criaram uma seleção de imagens do filme associadas à agenda de discussão que, paralelamente, foi sendo criada. Os pequenos pensaram a partir de frames temas como o que é ser imigrante (?); como tratar os imigrantes (?); por que razão as regras devem ser universais e sem exceções (?); o que os torna bons e o que nos torna maus(?); o que nos torna iguais e diferentes(?).
Neste caderno de síntese deixamos os contributos que conseguimos apreender e que foram registados, mesmo quando a velocidade de pensamento e vertiginosa vontade de participar dos mais pequenos, nos ultrapassou e deixou sem resposta, ou capacidade para escrever o que foi pensado e discutido. Ao profissionalismo, empenho e cuidadosa atenção com os alunos do 11.º CT2, deixo a minha gratidão e, aos mais pequenos, com quem caminho há 3 anos deixo um sorriso de alegria por vê-los pensar tão ousadamente e com razões. Pode ser que existam mais viagens pelo cinema e pelo olhar do cinema, outras razões para pensar o humano e o que nos torna mais humanos. O cinema une e as imagens libertam, como abril, leituras mil, na expressão de uma professora que muito deixou a esta escola, a professora Ruth Navas. Cinema P’ros da Casa propõe-se desenvolver, para combater o cansaço dos dias e os mecanismos da rotina que nos entregam à morte do que pode ser mais original e criativo nos processos de ensino e aprendizagem, atividades das mil e umas leituras que há no movimento das imagens e das imagens em movimento. E, porque o pensamento é imagem, deixamos-vos estas que as palavras tentam guardar na película do tempo.
Isabel Santiago, professora de Filosofia/equipa do PNC

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Comemoração do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto - PNC A Vida é Bela, de Roberto Benigni











«Para evocar as vítimas do Holocausto, já depois do dia 27 de janeiro de 2019, os alunos do 8.º ano, do Agrupamento de Escolas Emídio Navarro, visionaram o filme do Plano Nacional de Cinema, A Vida é Bela, de Roberto Benigni. Considerou-se ajustado pensar esse acontecimento histórico na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento/Oficina de Cidadania, por várias razões pedagógicas e como exercício prático de cidadania. Com efeito, esse acontecimento passado configura-se, outra vez, como um acontecimento presente e recebemos notícias preocupantes de pedidos de ajuda de judeus em fuga do Reino Unido onde são vítimas de perseguição e ódio. O acontecimento tem 70 anos e, 70 anos depois continua, como se de um incêndio se tratasse, com frentes de destruição ativas no cenário político da Europa. Não é assim de estranhar que uma Escola Centro UNESCO se debruçasse sobre o papel dos campos de concentração e desencadeasse mecanismos de reflexão crítica sobre o seu significado político, ético e humano para serem expressas, de forma clara e inequívoca, razões pelas quais não os desejamos e a nossa cidadania, livre e consciente, os recusa.




Após o visionamento do filme os alunos foram levados a pensar, com a ajuda dos seus professores, argumentos de natureza política e ética que justificassem, com razões, o porquê de não dever haver campos de concentração. O resultado dessa reflexão apresenta-se sob a forma de postais criados por eles e nos quais encontramos elencadas razões de cidadania e razões que, por serem de cidadania, recolocam a tónica da sua recusa na fundamental necessidade de pensar o humano com DIGNIDADE e RESPEITO, recusando todas as formas totalitárias e nacionalistas-populistas que põem em causa aqueles valores universais. De uma forma mais profunda pensamos criar pontos de alerta cívica nos nossos alunos que, nesta fase do seu desenvolvimento, devem começar a pensar que, contra a intolerância, a desumanidade, o racismo, a xenofobia, não pode haver indiferença ou a falsa tolerância de pensar que todas as posições são eticamente equivalentes. Pensamos que, com este exercício pedagógico de pensar a vida política a partir de um filme que explora as consequências da política concentracionária na vida de uma família, se criaria, nos nossos jovens de 13 anos, um rastro interior e pessoal de maior consciência contra todas as formas de indignidade e todos os estilos políticos menos democráticos. Pretendeu-se duplicar o seu olhar sensível – porque um filme é uma matéria que desperta a sensibilidade – num olhar mais inteligível ou reflexivo sobre este tema e este problema: pode o poder político decidir da vida e da morte dos seus cidadãos? Que limites devem ser colocados para se pensar a nossa vida com os outros? 
Depois de recebermos os postais dos nossos alunos não pudemos deixar de acalentar a renovada esperança de que educar é o único caminho para que se evitem produzir afirmações como estas últimas que transcrevemos. Não se pode governar a partir da insensibilidade ética, não se pode governar, fazendo dos outros meios para fins políticos de autoafirmação e bélicos, não se pode governar para reeducar opções individuais e expressão livre do que se é, não se pode governar para destruir no outro naquilo que cada um é. Ao ler os postais pensamos poder afirmar que os nossos alunos, com 13 anos, sabem que qualquer ser humano tem direito à sua dimensão psicológica, social, moral e espiritual e nunca afirmarão que «nada têm para refletir» a partir de uma ordem dada. Porque eles devem sempre valorizar a pensar sobre o obedecer, porque devem sempre lembrar que «não é o trabalho que liberta», são os campos de concentração, lugares de morte, a que dizemos NÃO.


Centro UNESCO 
em colaboração com todos os docentes de Cidadania e Desenvolvimento e Oficinas de Cidadania 
fevereiro-abril de 2019

sexta-feira, 5 de abril de 2019

"Sonhar uma Terra Melhor" - Laboratórios Abertos de Ciência da ESEN 2019

 Os Laboratórios Abertos de Ciência da ESEN 2019 decorreram nos dias 3 e 4 de abril, tendo por tema aglutinador “Sonhar uma Terra Melhor”.


Este evento para além de dar a conhecer os trabalhos realizados pelos alunos dos 8º, 9º, 10º,
11º e 12º anos da ESEN, pretendeu divulgar conhecimento científico e promover o gosto pelas ciências experimentais, principalmente junto dos alunos do 1º ciclo, 2º ciclo e 3º ciclo das outras escolas do Agrupamento.

O conjunto de atividades, maioritariamente interativas, que foi dado conhecer aos visitantes,
para além de muito vasto foi também muito diversificado. Assim, os visitantes puderam:

- viajar pelos 5 Reinos de Whittaker;
- assistir a um teatro sobre aspetos relevantes da vida de Darwin fundamentais para
formulação da teoria sobre a evolução das espécies;
- participar na exposição de trabalhos interativos sobre o conhecimento, o respeito e equilíbrio
sustentável do nosso planeta;
- envolver-se na procura de uma alimentação saudável, base do equilíbrio dos sistemas de
órgãos do corpo humano e no conhecimento desses sistemas;
- participar na exposição de trabalhos interativos sobre corrente elétrica em contexto;
- observar diferentes instrumentos musicais construídos pelos alunos;
- participar nas experiências laboratoriais de Física nos domínios da mecânica, ondas e
electromagnetismo;
- observar experiências simples que exploravam vários domínios da Química;
- provar produtos produzidos através de gastronomia molecular.
- visualizar pequenos vídeos sobre o problema das alterações climáticas e ações a empreender
para o mitigar.


O número de visitantes dos “Laboratórios Abertos de Ciência da ESEN 2019” excedeu as expectativas na medida em que este evento foi visitado por 32 turmas de outras escolas do Agrupamento (10 da Pré-primária; 17 do 1º Ciclo; 5 turmas do 9º ano da EDAC), num total de650 alunos.





Os laboratórios e suas atividades foram ainda visitados por várias turmas da ESEN e muitos dos
nossos alunos participaram ativamente na preparação e na dinamização deste evento.



Pelos Departamentos Disciplinares 510 e 520,
A coordenadora do Departamento Curricular de Ciências Experimentais
Maria Regina Lucena

sexta-feira, 8 de março de 2019

Dia Internacional da Mulher - Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO




O Dia Internacional da Mulher celebra este ano o contributo das mulheres para a sociedade – em especial no espaço digital - e propõe uma reflexão sobre a forma de garantir às mulheres o pleno usufruto dos seus direitos.
As tecnologias digitais têm influência sobre a forma como trabalhamos, aprendemos, ensinamos e vivemos juntos. Infelizmente, as mulheres nem sempre beneficiam plenamente desta revolução tecnológica. Na realidade, segundo um relatório recente da Comissão de Banda Larga para o Desenvolvimento Sustentável, desenvolvido em colaboração com a UNESCO, concluiu-se que o fosso digital entre homens e mulheres está a aumentar: em 2016, o número de homens on-line ultrapassava em 250 milhões o número de mulheres. As mulheres não só são menos conectadas como beneficiam menos da literacia e da formação digital, têm menos probabilidades de ser contratadas por empresas tecnológicas e, geralmente, a sua remuneração é menor do que a dos seus colegas do sexo masculino.
As mulheres estão em desvantagem, incluindo em algumas das áreas mais avançadas da ciência – tecnologias digitais e inteligência artificial. Assim, a título de exemplo, apenas 22% dos profissionais da inteligência artificial são mulheres. Este ano, a UNESCO ambiciona restabelecer o equilíbrio ao recordar as mulheres pioneiras que afastaram os limites do nosso conhecimento em áreas como a computação quântica, a inovação digital e a inteligência artificial. Ao destacarmos os sucessos destas mulheres, esperamos incentivar uma nova geração de jovens mulheres nos domínios da ciência, da tecnologia, da engenharia e da matemática (CTEM), onde ainda estão subrepresentadas. Trabalhamos para incentivar jovens raparigas e mulheres a optarem por estas áreas e, em particular, a desenvolverem as suas competências digitais através, por exemplo, do projeto "Girls Can Code", recentemente lançado.
No âmbito cultural, também apoiamos o acesso das mulheres à criação digital e promovemos a igualdade de género digital nas indústrias criativas, através da iniciativa "You are next". Em colaboração com Sabrina Ho, a UNESCO ajuda centenas de jovens mulheres do México, Palestina, Senegal, Afeganistão e Tajiquistão a adquirirem competências artísticas, digitais e empresariais indispensáveis ao seu sucesso no mundo digital.
Apesar destas iniciativas e da existência de muitos modelos femininos na esfera do digital, as mulheres estão, cada vez mais, a abandonar as plataformas on-line para se protegerem dos ciberataques e do assédio. Uma em cada dez mulheres da União Europeia afirma ter sido vítima de cyberbullying desde os 15 anos, um fenómeno particularmente frequente nas jovens mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 29 anos. A UNESCO, na qualidade de agência das Nações Unidas dedicada à informação e à comunicação, está na vanguarda da luta contra a discriminação de género e do assédio on-line e da luta para a eliminação de estereótipos que se difundem nos media.
Para fazer parte desta luta contra os estereótipos, convido-vos a juntarem-se ao movimento mundial #Wiki4Women. Na Wikipedia, apenas uma em cada seis biografias é dedicada a uma mulher. Ao criar ou completar biografias de mulheres extraordinárias nas esferas da cultura, da educação e da ciência, na Wikipedia, a UNESCO pretende conferir-lhes a existência digital que merecem. Baseando-se no sucesso da iniciativa “Edit-a-thon”, levada a cabo no ano passado, na sede da UNESCO, a Organização colabora novamente com a Fundação Wikimedia na promoção de oficinas “Edit-a-thon” no Cairo, em Deli, em Banguecoque, em Lima e em Almaty, assim como em Paris.
A UNESCO está empenhada em contribuir, de forma positiva e duradoura, para o empoderamento das mulheres e para a igualdade de género. Cada um de nós pode fazer a diferença, rejeitando o preconceito e a discriminação, garantindo que os espaços online sejam seguros para todos, celebrando as realizações das mulheres e incentivando a contribuição das mulheres na esfera digital e em todas as esferas davida.


Audrey Azoulay

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto


27 de janeiro de 2019

A UNESCO comemora hoje a descoberta do campo de concentração e de extermínio de Auschwitz-Birkenau pelas tropas soviéticas, a 27 de janeiro de 1945.



Auschwitz-Birkenau, o maior complexo de campos de concentração da Europa ocupada, é um lugar de memória para numerosos grupos perseguidos pela Alemanha nazi. Este campo foi também o maior centro de extermínio industrializado, construído para assegurar a execução do genocídio dos judeus da Europa. Cerca de 1,1 milhão de pessoas foram assassinadas neste lugar, das quais cerca de um milhão de judeus, mortos simplesmente por terem nascido judeus.

O Holocausto foi o produto de uma ideologia baseada no racismo biológico, cujo elemento principal foi o ódio aos judeus. Resultou também das políticas de conquista e de perseguição que assolaram a Europa e o mundo na guerra mais mortífera que a humanidade jamais conheceu.

Paradoxalmente, à medida que a investigação sobre esta trágica história progride, há quem insista em contestar a realidade dos factos. Os negacionistas do Holocausto continuam a espalhar desinformação nas redes sociais. Na Europa, alguns inclusivamente enveredam por um discurso ofensivo, negando a participação das populações e das autoridades locais nos massacres, com desprezo por factos indiscutíveis. Outros acusam “os judeus” de explorarem o Holocausto com vista à obtenção de vantagens financeiras ou políticas, em benefício, por exemplo, do Estado de Israel. Três gerações após os factos, preservar a memória do Holocausto continua a significar, ainda hoje, persistir na luta contra este tipo de antissemitismo cujos defensores persistem em manchar a memória dos mortos para melhor atacar os judeus da atualidade.

A preservação desta memória passa pelo apoio à investigação histórica. Passa também pelo ensino da História do Holocausto e de outros genocídios e crimes em massa. As questões levantadas por este ensino revestem-se de grande atualidade tendo em conta a propaganda das ideologias extremistas, a defesa das teorias da conspiração mais infames nas redes sociais, a erosão das instituições democráticas e o enfraquecimento do diálogo internacional.

Este é um trabalho que a UNESCO desenvolve diariamente, com os líderes na área da educação de todo o mundo, através da investigação pedagógica, da formação ou ainda das cátedras UNESCO, no quadro dos seus programas de educação para a cidadania global. Fá-lo igualmente através do seu Programa Memória do Mundo, que inclui, desde 2017, os arquivos do processo de Auschwitz em Frankfurt.

Entre estes documentos protegidos pela UNESCO encontram-se os arquivos do Ghetto de Varsóvia, reunidos na clandestinidade pelo grupo Oneg Shabbat, dirigido pelo historiador Emanuel Ringelblum. Este ano, através da transmissão mundial do filme Who Will Write Our History, a UNESCO decidiu homenagear estes resistentes que, desde as profundezas do inferno, souberam contrariar o ódio e a violência com o conhecimento e a cultura. A mensagem de humanidade que nos deixaram, após a sua morte brutal, é a razão de ser da UNESCO.

Neste dia de memória, convido todos os atores da educação, da cultura e da ciência a redobrarem a sua determinação no combate às ideologias de ódio e no seu contributo para uma cultura da paz.

Audrey Azoulay

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Dia Internacional dos Direitos Humanos - Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO






Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO



A Declaração Universal dos Direitos Humanos encarna a eterna aspiração da humanidade à liberdade, à justiça e à dignidade. Não é fruto de uma única cultura ou tradição, mas antes um alicerce que nos permite usufruir de uma vida plena, e a todas as nações do mundo viver em paz. Há 70 anos, as nações do mundo uniram-se para definir este conjunto de direitos humanos fundamentais, inalienáveis e universais.
A promessa inscrita no Ato Constitutivo da UNESCO de “assegurar a todos os homens o pleno e igual acesso à educação, a procura sem restrições da verdade objetiva e a livre troca de ideias e de conhecimentos” assenta nestes direitos. A nossa missão consiste em promover a paz e os valores humanistas no espírito dos homens e das mulheres através da educação, das ciências, da comunicação e da cultura. Esta missão é tão importante na atualidade como na época em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada pela comunidade internacional, numa altura em que o mundo se reconstruia a partir dos destroços e do trauma de duas guerras mundiais devastadoras.
A nossa ação visa alargar o direito à educação àqueles que foram deixados para trás, em particular as mulheres e as raparigas. Num momento em que o mundo se prepara para adotar dois novos pactos mundiais em prol dos direitos dos refugiados e dos migrantes, a UNESCO envida igualmente esforços para alargar as possibilidades educativas a essas populações.
Defendemos o direito à liberdade de expressão, denunciando os ataques perpetuados contra jornalistas e agindo para que a Internet continue a ser um espaço de diálogo aberto. Todos os indivíduos deveriam poder usufruir dos benefícios do progresso científico e das suas aplicações. O direito à água e ao saneamento, assim como a um oceano limpo que preserve os meios de subsistência, é de extrema importância para os direitos humanos e faz parte das nossas prioridades. A UNESCO compromete-se também a proteger e a promover a liberdade cultural fundamental, nosso património comum, assim como todas as formas contemporâneas de expressão, que constituem a manifestação suprema da nossa humanidade comum.
Infelizmente, uma vez mais na nossa História, os direitos humanos encontram-se em perigo. No mundo inteiro, é possível ver o quão facilmente podem ser derrubados por estereótipos desumanizantes e pelo aumento dos discursos intolerantes. Os conflitos, o extremismo violento e os desastres naturais podem semear o caos e pôr em risco os direitos das pessoas mais vulneráveis das nossas sociedades. As novas tecnologias, nomeadamente a inteligência artificial, também podem representar um perigo se não forem concebidas no pleno respeito dos direitos humanos. Temos que permanecer vigilantes para que os progressos realizados nos últimos 70 anos não sejam postos em causa, e fazer com que a UNESCO continue a ser o principal laboratório internacional de ideias para enfrentar estes desafios.
Eleanor Roosevelt, uma das principais autoras da Declaração Universal dos Direitos Humanos, declarava: “Ser humano não é apenas um direito, é um dever. Só assim poderemos contribuir de forma útil para a vida.” Neste importante aniversário, exerçamos todos este direito contribuindo assim para a realização dos direitos humanos para todos.

Audrey Azoulay

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Dia Mundial da Filosofia 2018


Pensar a Paz e a Guerra
De forma a dar continuidade a uma experiência de celebração deste Dia Mundial, o Departamento de Filosofia do Agrupamento de Escolas Emídio Navarro, escolheu o tema Guerra e Paz. O tema foi escolhido por envolver valores em contraponto, valores que importa avaliar e explorar para um melhor entendimento do mundo em que os alunos vivem. Por outro lado, se a paz é um dos valores de referência da escola e desta em particular por ser um Centro UNESCO, a guerra não pode ser esquecida, nem podemos e não conseguimos, por muito grandes que sejam os esforços dos filósofos ao longo do tempo por enfatizar argumentativamente a importância de valores, como a tolerância e o respeito pelo outro e a sua consideração como pessoa e como ser singular e cultural, , esquecer o mal que resulta da guerra.
Este ano escolhemos o tema e também o apresentámos como tema-problema às crianças do nosso Agrupamento. A partir do belo poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paz sem Vencedor e sem Vencidos, pedimos uma reflexão sobre os dois valores: guerra e paz. Como tarefa final, pedimos que cada uma contribuísse para a construção de um poema. O resultado final é surpreendente. Os versos são da responsabilidade dos alunos de uma turma do 3.º ano, a turma A, da Escola dos Caranguejais, ou mais corretamente da Escola EB n.º 3 da Cova da Piedade. O que não é da responsabilidade dos alunos é o arranjo dos versos que se organizaram segundo um princípio de semelhança temática entre os mesmos à medida que os alunos construíam o poema em voz alta.
Ao lê-lo, não podemos deixar de sentir que há na voz do pensamento inocente aquela velha ideia da Filosofia que nos diz que o bem é inato e está no coração dos homens, que o bem está no âmago da vida e é primeiro e mais primordial do que o mal. Mas a questão que mais perturba é pensar como pode uma criança sentir isto, saber isto com o entusiasmo de um grito que não se pode silenciar, e os adultos não o gritarem nem construírem uma narrativa consistente da paz na História da Humanidade. Mais do que palavras e argumentos, e porque a poesia foi no Ocidente a primeira forma consistente de pensar e deixar um legado ao futuro, deixamos à consideração de todos e ao coração dos homens este poema realizado por crianças de 8 anos de dedo no ar como um manifesto, com a força de quem acredita que os gestos humanos podem ter uma dimensão universal.
Resposta a Sophia
Não se matem!
Não vão à guerra!
Não se tornem assassinos!
Não façam o mal!
Não usem armas!
Não façam a violência!
Não pratiquem terrorismo
Não matem e
Não culpem inocentes!
Não se destruam uns aos outros!
Não destruam os sonhos dos outros!


Na guerra há horror e morte, há escravos e império!
Há sangue!
Não há liberdade e não há justiça!


Ninguém é melhor do que ninguém!
Ajuda por isso o teu amigo e inimigo!

Façam a paz!
Façam a bondade!
Respeitem todos:
A cultura das pessoas e dos lugares!
Amem-se uns aos outros:
Espalhem carinho
Como quem espalha pólen!
Façam crescer a amizade como se faz crescer o bicho-da-seda:
Começa pequenina e acaba grande!
A paz é como a onda gigante
Que a todos acolhe no mesmo mar!
A paz liberta o nosso coração!
Construam a paz!
Esta é uma ordem para todos os homens e para todas as mulheres!
Com a paz a vida fica melhor!
A paz é a ética!

Turma A do 3.º ano
8 de novembro de 2018
A Coordenadora UNESCO
Isabel Santiago


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Mundial da Filosofia

dia mundial da filosofia 2018 ultima

A filosofia alimenta-se da necessidade que o ser humano tem de compreender o mundo que o rodeia e de identificar princípios para orientar a sua ação. Esta necessidade ancestral continua a ser premente: cerca de 3000 anos após o aparecimento desta disciplina na China, no Médio-Oriente e na Grécia Antiga, os questionamentos levantados pela filosofia não perderam em nada a sua pertinência e a sua universalidade – muito pelo contrário.
Num mundo cada vez mais complexo, onde reina a incerteza, onde as evoluções sociais e as revoluções tecnológicas confundem as referências estabelecidas, onde os desafios sociais e políticos são imensos, a filosofia continua a ser um recurso extremamente valioso. É simultaneamente um espaço de retiro e desaceleração e uma luz suscetível de nos orientar.
A filosofia ajuda-nos a superar a tirania do instante e a analisar os desafios que se nos colocam com o necessário distanciamento histórico e rigor intelectual. Dá-nos as chaves da interpretação e sintetiza, numa linguagem acessível, saberes fragmentados numa infinidade de áreas: a biologia, a genética, a informática, as ciências cognitivas, o direito, a economia, as ciências políticas… Além destes conhecimentos especializados, permite entender os desafios claramente humanos, os desafios de sentido, de norma.
A filosofia também nos ajuda a refletir, precisamente, sobre as normas que sustentam a nossa vida coletiva: ao levantar questões de justiça, de paz, de ética, de moral. Estas questões são particularmente relevantes na sociedade atual, onde os progressos alcançados no domínio da inteligência artificial parecem redefinir as fronteiras do humano.
Por fim, a filosofia implica uma abordagem e uma atitude específicas: a abertura ao diálogo e ao intercâmbio de argumentos, a predisposição para acolher o que parece estranho e diferente, a coragem intelectual de questionar os estereótipos e de desconstruir os dogmatismos.
Por todas estas razões, a filosofia é um recurso indispensável para aprendermos a viver juntos e para todas as sociedades livres e pluralistas – ou que aspiram a sê-lo.
A UNESCO, cujo mandato está em consonância com a vocação universalista da filosofia, sempre atribuiu uma atenção particular a esta disciplina. Por este motivo, a nossa Organização tem a honra de celebrar, uma vez mais, na sua Sede, em Paris, nos dias 15 e 16 de novembro, o Dia Mundial da Filosofia. Worshops, mesas redondas e conferências irão animar uma noite e dois dias excecionais durante os quais os amantes de filosofia, de todas as idades e contextos culturais, poderão explorar todo o tipo de assuntos e desfrutar do debate de ideias e da reflexão.
Neste Dia Mundial da Filosofia, que a célebre frase de Sócrates – “Só sei que nada sei” – nos incite a avançar alguns passos juntos na vertiginosa imensidão do conhecimento.

Audrey Azoulay

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Divulgação da Mensagem conjunta UNESCO para o Dia Mundial do Professor

dia mundial professor
Mensagem conjunta de Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, Guy Ryder, Diretor-Geral da Organização Internacional do Trabalho, Henrietta H. Fore, Diretora Executiva da UNICEF, Achim Steiner, Administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e David Edwards, Secretário-geral da Internacional da Educação
“O Direito à educação também é o direito a um professor qualificado”
 A educação é um direito humano fundamental e um bem público. Transforma vidas ao contribuir  para o desenvolvimento económico e social. Promove a paz, a tolerância e a inclusão social. Desempenha um papel fundamental na erradicação da pobreza. Permite às crianças e aos jovens alcançar o seu potencial.
No entanto, em muitos lugares, as crianças são privadas do seu direito à educação devido a uma penúria mundial de professores qualificados e experientes, em particular de professoras, nos países de baixo rendimento. Apesar de um aumento global do acesso à educação, mais de 263 milhões de crianças e jovens no mundo não frequentam a escola Pelo menos 617 milhões de crianças e adolescentes – cerca de 60% à escala mundial – não dominam a leitura nem o cálculo. As crianças mais pobres e mais marginalizadas, nomeadamente aquelas que vivem em zonas de conflitos, são as mais expostas ao risco de não frequentar a escola ou, mesmo sendo escolarizadas, de aprender muito pouco.
 A Agenda 2030, com a qual a comunidade internacional se comprometeu tem como objetivo a educação para todos, do ensino pré-primário ao ensino secundário. Para alcançar este objetivo, temos de alargar a cada criança e a cada jovem o acesso a uma educação de qualidade ,acabando assim com a discriminação a todos os níveis do sistema educativo e melhorando consideravelmente a qualidade da educação e os resultados da aprendizagem. Estes objetivos exigem, por sua vez, o aumento da oferta mundial de professores qualificados – mais 69 milhões, segundo as estimativas.
Este ano, o tema do Dia Mundial do Professor – “O direito à educação também é o direito a um professor qualificado” – reflete esta realidade. Faz-se igualmente  eco  à Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada há 70 anos, que reconheceu a educação como um direito fundamental. Hoje em dia, relembramos aos governos e à comunidade internacional a importância de proteger esse direito ao investir num corpo docente forte, em particular nos países afetados por conflitos. De forma a garantir que todas as crianças estejam preparadas para aprender e ocupar o seu lugar na sociedade, os professores devem receber uma formação e um apoio eficazes, que lhes permitam responder às necessidades de todos os alunos, inclusive às dos mais marginalizados.
No entanto, a falta de professores põe em causa os esforços desenvolvidos para alcançar uma educação equitativa, inclusiva e de qualidade para todos – especialmente nos países assolados pela pobreza generalizada e por crises prolongadas, e nas regiões onde a população jovem está a aumentar rapidamente. Para responder à procura de novos professores, as autoridades responsáveis pela educação contratam frequentemente pessoas que detêm pouca ou nenhuma formação ou reduzem até os requisitos de qualificação. É inclusive pedido a alguns professores que ensinem matérias para as quais não receberam qualquer formação pedagógica. Nos países de baixo rendimento, fazer face à falta de professores significou aumentar drasticamente a dimensão das turmas, o que teve efeitos devastadores na qualidade do ensino e na carga horária dos professores.
Por conseguinte, as crianças mais marginalizadas e excluídas têm tendência a ser ensinadas pelos professores menos experientes, por vezes até em situação de contrato temporário, e sem qualquer formação inicial ou contínua. Os professores dispostos a trabalhar em situações de emergência ou de crise não são formados para responder às necessidades complexas das crianças vulneráveis, em particular, das meninas que foram forçadas a fugir das suas casas devido a conflitos armados, violências ou desastres naturais.
Embora seja amplamente reconhecido que os professores desempenham um papel determinante numa educação de qualidade para todos, o ensino é ainda desvalorizado, por muitos. O baixo prestígio desta profissão é um obstáculo aos esforços desenvolvidos para contratar e manter os professores, tanto nos países ricos como nos países pobres. Para responder a esta situação, os governos e os parceiros da educação devem tomar medidas dinâmicas com vista à melhoraria da qualidade da formação inicial e contínua dos professores. Estes devem receber uma formação inicial de qualidade, beneficiar de uma integração eficaz na profissão e dispor da possibilidade de aperfeiçoar as suas competências ao longo da sua carreira. Ao mesmo tempo, é preciso mostrar à população que o ensino é uma profissão valiosa ao garantir aos professores salários decentes e ao melhor as suas condições de trabalho a todos os níveis do sistema educativo.
Neste Dia Mundial do Professor, enquanto celebramos o papel importante que os professores desempenham na melhoria da vida das crianças e dos jovens, reafirmamos o nosso compromisso em aumentar a oferta de professores qualificados em todo o mundo. Incentivamos todos os governos e a comunidade internacional a juntarem-se a nós neste desígnio, para que todas as crianças e todos os jovens, independentemente da sua situação, possam exercer o seu direito a uma educação de qualidade e a um futuro melhor.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO - Dia Internacional da Paz


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“Não haverá paz neste planeta enquanto, algures no mundo, os direitos humanos forem violados.”

Neste Dia Internacional da Paz, as palavras de René Cassin, um dos artesãos da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948, relembram-nos que a paz continua a ser um ideal inalcançável enquanto os direitos humanos fundamentais não forem respeitados. São, pois, a condição primordial de uma sociedade pacífica em que a dignidade de todos os indivíduos é respeitada e onde todos podem usufruir de direitos iguais e inalienáveis.

Estas palavras também nos relembram do nosso dever de solidariedade para com os nossos semelhantes; a paz é imperfeita e frágil se não beneficiar a todos e a todas. Os direitos humanos ou são universais ou não são. Esta ligação intrínseca entre paz e respeito pelos direitos fundamentais constitui o tema desta nova edição do Dia Internacional da Paz, no momento em que se celebra o 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Os ideais de paz e de direitos universais são, todos os dias, contestados e violados. Existem vários obstáculos para a sua realização. A nossa capacidade em edificarmos um mundo feito de harmonia, de compreensão e de coexistência pacífica é posta à prova pelos mais diversos desafios: desigualdades sociais e económicas que causam sofrimento e pobreza; alterações climáticas que geram novos conflitos; explosão demográfica que cria novas tensões… Por outro lado, propagam-se também novas formas de populismo e de extremismo em todo o mundo.

Para vencermos estes desafios, temos de agir de forma coletiva e construir, passo a passo, o edifício da paz. Este é o objetivo do Programa da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que apela a uma ação concertada para alcançarmos os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, que contribuem para um mundo mais justo e mais pacífico – luta contra a pobreza, contra a fome, contra as desigualdades de género, promoção da educação, defesa da justiça, compromisso em favor de um ambiente saudável...

Todos os dias, a UNESCO, através dos seus programas e das suas ações no terreno, reafirma o seu compromisso original, consagrado no seu Ato Constitutivo: erguer os baluartes da paz no espírito das mulheres e dos homens. Líder da Década Internacional para a Aproximação das Culturas (2013-2022), a UNESCO investe-se totalmente no desenvolvimento de uma cultura de prevenção a nível mundial através da educação, da cooperação internacional e do diálogo intercultural.

O caminho para a paz é longo, mas cabe a todos e a cada um de nós influenciar o seu rumo ao comprometermo-nos, diariamente, em prol de uma sociedade mais inclusiva, mais tolerante e mais justa.

Audrey Azoulay

sábado, 15 de setembro de 2018

Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Internacional da Democracia

democracia
Hoje, celebramos o Dia Internacional da Democracia. A democracia é um ideal que reconhece a todos os seres humanos igualdade de dignidade e as mesmas liberdades fundamentais: liberdade de pensar, liberdade religiosa, liberdade de expressão e liberdade de circulação.
Estes valores universais estão consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo 70º aniversário festejamos este ano, e inspiram o Ato Constitutivo da UNESCO. A cultura, a educação, a ciência, a comunicação e a informação - que a UNESCO procura promover em todo o mundo - perdem a sua essência se não estiverem alicerçadas em valores universais ou se excluírem uma parte da Humanidade e não contribuírem para uma maior paz e justiça.
A democracia não é apenas um ideal moral, é também um princípio político e jurídico. A democracia organiza-se, constrói-se e consolida-se através da concessão de direitos políticos que permitem a participação na elaboração comum das leis e das instituições através de eleições livres e do sufrágio universal, através de mecanismos de controlo dos poderes próprios a um Estado de direito, através de uma imprensa livre e independente e, por fim, através de cidadãos ativos e de uma sociedade civil aberta e dinâmica. A UNESCO está assim particularmente envolvida na promoção da cidadania e trabalha em estreita colaboração com numerosos parceiros da sociedade civil.
Uma das características do espírito democrático é a convicção de que se obtém mais com o diálogo, a concertação e a mediação do que com a coerção e a arbitrariedade: em suma, que o direito tem que prevalecer sobre a força. O ideal democrático está indissociavelmente ligado a um compromisso de resolução pacífica dos conflitos e a uma aspiração à paz. A UNESCO ergue essa aspiração como um baluarte.
O ideal democrático insta-nos a trabalhar incessantemente em prol de mais igualdade, mais liberdade e mais justiça, do direito a uma educação de qualidade para todos, do direito à informação, do direito a condições de vida dignas, a um ambiente saudável, a um emprego decente… Neste sentido, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas consiste na ramificação desse ideal constantemente aprofundado em função dos novos desafios que vão surgindo a cada nova geração e que irão, certamente, manter-se neste início de século XXI.
Neste Dia Internacional façamos o ponto da situação sobre os avanços do ideal democrático no mundo e do respeito das liberdades e dos direitos fundamentais, especialmente este ano em que se celebra o aniversário da Declaração Universal. Juntos, mobilizemo-nos para que se cumpra a promessa de paz e de justiça inerente à democracia.
Audrey Azoulay

quinta-feira, 31 de maio de 2018

História Trágica Com Final Feliz - PNC




Livro com frames e intervenções dos alunos sobre a curta-metragem


 

 

 

 

 

 




Trabalho Realizado pela turma do 2.º A da EB da Cova da Piedade com a Professora Regina Lima e a professora de filosofia Isabel Santiago

terça-feira, 29 de maio de 2018

Ensaio de Leitura "Os dois lados" - Filosofia para Crianças


No âmbito da leitura e tratamento dos textos de Gonçalo M. Tavares sobre o Sr. Valéry, os alunos realizaram discussões com o texto e os seus núcleos lógicos através da performance e da representação. O que sente um corpo que tem que experimentar viver de acordo com a regra do pensamento ou que o pensamento se dá a si mesmo? No final da performance o aluno deixa as questões que surgiram numa das sessões de Filosofia para crianças. Foi mais um ensaio de leitura do Centro UNESCO do AEEN- Almada.



quinta-feira, 8 de março de 2018

Ensaios de Leitura





As atividades, em torno da leitura e ensaio de leitura de Fernando Pessoa ortónimo e heterónimo, promovidas pelo conjunto de professoras do grupo disciplinar de Português no dia 8 de março, dia do nascimento dos poetas no poeta merecem algumas palavras por parte da coordenadora da UNESCO.







A primeira dessas palavras é de agradecimento para com os que desenvolvem na escola atividades que implicam leitura e a partir dela imaginam um caminho de apropriação original que passa por fazer e estabelecer o que Maria Gabriela Llansol chamou «drama-poesia». Esse caminho ousado, de criar passagens entre géneros e criar movimentos de leitura apropriativa mais ativa do que meramente passiva, não podem não ser destacados depois do que se passou no dia 8 de março. Estendendo-se, desta forma, o agradecimento, aos alunos que disseram «sim» e tornaram esse assentimento uma presença que mudou a face de um dia normal de aulas na escola.

A segunda dessas palavras é de contentamento: as atividades do Centro UNESCO são as atividades dos docentes e dos alunos. O que se passou neste dia, com a apresentação nas salas de aula do drama pessoano ou com a exposição de vídeos e trabalhos dos alunos de 12.º ano, não pode deixar de impressionar positivamente os que trabalham, ensinando, os que aprendem e os que visitam a nossa escola. Se a frase já não tivesse um sentido esgotado, poderíamos dizer que a «poesia saiu à rua. Mas provavelmente aconteceu aqui algo de maior: ela tornou-se o que entrou no interior dos que vivem nesta comunidade, como se fosse e pudesse ser o que de facto também é, um respirar comum da humanidade que pensa a vida com o ritmo da palavra que desvela o mais fundo do humano. Neste sentido, toda a poesia é património da humanidade e ela deve invadir o mundo como se o mundo humano tivesse nela a sua mais funda possibilidade de ser dito. Se para Galileu a natureza estava escrita em linguagem matemática, a natureza humana pode ser entendida na linguagem da poesia. Assim o foi desde o início em todo a cultura e em todas as grandes civilizações.
O que aconteceu na escola neste dia é paradigmático do que está plasmado no perfil do aluno e mais ainda: foi a ritualização de um ato cultural e civilizacional que começa a ser raro assistir. Num tempo em que negamos pela sua inutilidade tudo o que fomos e somos, este dia foi o elogio da inutilidade que redime o homem de tudo o que consome e nos consome.

A terceira e última dessas palavras é de alegria. Apoiar uma atividade com esta dimensão, visibilidade e qualidade, no mês dos livros e com uma leitura de Fernando Pessoa, não podia senão deixar-me cheia de alegria pelo trabalho das colegas, dos alunos que continuam a fazer da escola o lugar humano de ensaio do sentido da vida.
Se a poesia é bela, esta atividade não o foi menos. Obrigada às colegas que tornaram este dia uma apologia da poesia, da beleza e interromperam a indiferenciação dos dias que cansam com a diferença que salva.
Centro UNESCO
Isabel Santiago

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Projeto My City, My Home, My Responsability


Um Projeto Internacional e Uma Memória Visual do Mundo a partir de Fernão Mendes Pinto
My City, My Home, My ResponsabilityChime e Centro UNESCO



A formação internacional Erasmus+, My City, My Home, My Responsability/Chime desenvolve-se em torno de valores da cidadania e, neste caso e, mais especificamente, de valores associados à memória da cidade e da sua exploração em vídeo em contexto de sala de aula e de aprendizagem.




O projeto, pelos valores que que aborda e pretende explorar, só poderia ser abraçado igualmente pelo Centro UNESCO. Essa convergência de objetivos da Formação My City, My Home, My Responsability com os objetivos da UNESCO relativos ao património e à cidadania traduz-se nos seguintes aspetos:
. Preservação do património material e imaterial da humanidade.
. Promoção de valores ligados à cidadania cuidadora, consciente, ativa, eticamente responsável.
. Desenvolvimento de uma relação de conhecimento entre o aluno e a cidade.
. Desenvolvimento de uma relação de memória entre o aluno e a cidade e os que nela viveram e criaram património.
. Criação de uma memória narrativa que continua o passado no futuro, combatendo o esquecimento e dando ao tempo a densidade significativa que a velocidade comunicativa retira.

No âmbito deste projeto cada grupo de escolas europeias vai apresentar um trabalho realizado pelos alunos, em vídeo, com concurso a decorrer na escola, sobre Fernão Mendes Pinto - um autor do concelho que viveu em Almada e partiu pelo mundo, muito mais mar do que terra, à procura do múrmurio outro do mundo, depois da Índia, mas ainda procurando em Português o que, depois na mesma língua de Camões, ficou registado como uma PEREGRINAÇÃO.

Nessa magna obra leu um mundo novo para a Europa e deixou-nos para ler as marcas e murmúrios dessa leitura, tão singular quanto rara, de uma distância que fomos tornando cada vez mais próxima. Acontece que se o mundo onde Fernão Mendes Pinto foi nos é cada vez mais próximo, a sua obra ficou paradoxalmente cada vez mais distante. Tentando combater essa distância que é esquecimento, os professores do Agrupamento da Emídio Navarro, aproveitando este projeto internacional a que o Centro UNESCO se associa, pretendem retormar a leitura dessa obra com apresentação em vídeo. Os alunos vencedores desta viagem, de memória e técnica, irão no final de março a Valência para partilhar o seu trabalho com os colegas da Roménia, da Grécia, da Turquia, de Itália e de Espanha.

Recorde-se que o projeto anual do Centro UNESCO é Ensaios de Leitura. Assim, este trabalho a desenvolver, no âmago deste projeto internacional, pode ser um ensaio de leitura de excertos da Peregrinação e torna, por meio do papel central da imagem-vídeo, essa leitura uma obra de imagens e memória nossa, da nossa cidade e uma leitura responsabilizante. Ser responsável é responder pelo que ainda nos fala de nós e do mundo e nos fala de uma maneira que já está esquecida. Aquele que fala do e com o esquecido é duplamente responsável, porque salva os mortos do passado e oferece ao presente o futuro que todo o texto, por ser universo de possibilidades, deixa diante de nós como chave que abre a opacidade da vida para o que estava diante e não se via.

«Enquanto a leitura for para nós a iniciadora cujas chaves mágicas nos abrem no fundo de nós próprios a porta das moradas onde não teríamos sabido penetrar, o seu papel na nossa vida é salutar. »                                                                          /Marcel Proust, Sobre a Leitura, p.51

Guia-nos, neste projeto e no Centro UNESCO, esta frase de Proust com que esperamos criar nos alunos um forte sentido de responsabilidade pelo passado comum e um sentido de urgência em quebrarmos este sonambulismo e funambulismo com que tornamos o presente sem espessura e as consciências sem memória e, por isso, impreparadas para a ação. Com efeito, só aquele que se sente só e uma ilha se sente impotente, inversamente, o aluno que tem um património de ideias dentro de si tem que responder pelo seu poder e pelo que pode a partir delas e com elas em busca da sua identidade.
Isabel Santiago
Fevereiro de 2018

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Dia Mundial dos Direitos Do Homem e do Cidadão - Direito à Educação

Em 2013 Byung-Chul Han, na obra No Enxame, escreveu a abrir este seu ensaio que «respeito» significa «olhar para trás» - diz sobre isto, peremptoriamente, que uma sociedade sem respeito, sem o pathos da distância, desemboca numa sociedade do escândalo – nós dizemos que no Dia Mundial dos Direitos do Homem e do Cidadão, é preciso respeito pelos mesmos em geral e pelo direito à educação, em particular (art.º 26.º).

Com efeito, quando pensamos nos Direitos do Homem e do Cidadão estamos diante de um acervo de artigos que dão corpo a uma lei que nos merecem respeito porque, em primeiro lugar, para os pensarmos precisamos de saber que o seu valor não se esgota no imediatismo que domina o voyeurismo do presente e da História. Cada instante é um desenrolar consequente do passado que é pertença comum. Assim, houve um momento em que os direitos inalienáveis do cidadão foram tornados matéria respeitável para nos garantir não só o seu cumprimento, como para tornar respeitável o que eles garantiram à geração atual e permitem assegurar às futuras. No passado que os instituiu, 1948, na versão que deles temos, eles ofereciam-se como naturais. Os homens tinham que reaver aquilo que o escândalo da Guerra tinha interrompido e que pareciam conquistas consecutivas desde a Revolução Francesa. Quando se deixou de olhar para esses direitos que garantem a humanidade, a igualdade de oportunidades e a liberdade, os Homens tornaram-nos, com a força da Lei, matéria respeitável pelo seu valor e pelos valores que eles contemplam e matéria respeitável pela coacção que toda a normal formal encerra. Respeitá-los, a partir de 1948, parece ser até uma obrigação natural como se, a par dos direitos naturais, se impusessem as obrigações naturais. Direitos que exigem deveres de salvaguardarmos, em herança irredutível do humano,  uma matéria natural e legal, que nenhum de nós alguma vez devesse ousar macular pelo esquecimento e pela violação. O que o documento, património imaterial da humanidade, nos lega é essa obrigação de não esquecermos o dever de tornar tangíveis os valores que cada direito relembra como marca do humano. Quando aceitamos, no silêncio ou na indiferença, a sua violação, ou a sua irrealização, aceitamos o escândalo de não respeitarmos o Homem e a memória que a Declaração dele faz e o que a ele pertence enquanto ser histórico, com passado e com promessa de futuro.
 O Departamento de Ciências Sociais e Humanas, no dia 10 de dezembro, relembra estes bens naturais a que chamamos direitos, desenvolvendo um conjunto de iniciativas que pretendem levar mais longe a sensibilização e a consciencialização para o direito à educação junto dos alunos do 5.º ao 12.º ano. Fá-lo a partir de vários materiais nos quais se incluem recursos que nos dão conta das dificuldades que afetam as crianças do mundo que não podem estudar, porque o caminho geográfico é árduo, ou o caminho sociopolítico o dificulta. Fornece dados da UNESCO para refletir sobre a importância da educação para a humanidade e para a igualdade, para a dignidade e para a transformação do mundo e do tempo. Com este intuito, convidará os alunos a pensar sobre o papel da educação para que pensem o seu valor para os que a ela não têm acesso e para aprenderem a respeitar – na distância que é sempre a reflexão – como um dom a que recebem. Espera o Departamento levar os alunos a assumirem que a educação é um bem natural, ou seja um bem que como a vida, a liberdade, a igualdade, não lhes pode ser tirada e os torna humanos, os humaniza.
Como este exercício se traduz em texto, o mesmo vai ser exposto na árvore, símbolo da vida e do que renasce, nos ciclos do tempo, cujas folhas que o jardim do pensamento consente, exploram essa importância. Haverá outras reflexões a partir do cinema e de uma curta-metragem incluída no Plano Nacional de Cinema- Rhoma Acans - que é, como sabemos, um programa que torna a imagem num vasto património que educa e facilita a educação, e reorienta o olhar dos alunos para essas paisagens que com o olhar do realizador se tornam paisagens onde, como humanos, nos colocamos no lugar do outro. Se há dia UNESCO em que esse exercício ético nos é proposto é este. O dia em que cada um deve sentir que poderia ser qualquer um dos outros. A Coordenadora agradece a todos os professores que neste dia tornam a sua ação um direito garantido: educar.

A Coordenadora do Centro UNESCO
Isabel Santiago

Reflexões a partir do cinema - Comemoração do Dia dos Direitos Humanos

As turmas do 10.º ano dos curso de Ciências Socio-Económicas e Línguas e Humanidades foram interpeladas a pensar o direito à educação a partir da curta-metragem de Leonor Teles, Rhoma Acans que integra o PNC. 
Os alunos visionaram e discutiram o filme e depois receberam Elsa Mendes, coordenadora nacional do Plano Nacional de Cinema que fez uma apresentação e leitura do filme. Em seguida realizou-se uma sessão de perguntas e respostas sobre o cinema em geral e sobre este filme em particular. 

A sessão teve lugar no auditório da ESEN e insere-se no programa de atividades do departamento de ciências sociais e humanas que celebram o direito à educação no âmbito das comemorações do dia UNESCO dos direitos do homem e do cidadão.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Dia Mundial da Filosofia - Comemoração na ESEN

No passado dia 16 de Novembro comemorou-se mais um dia da Unesco dedicado à Filosofia. Com efeito, todos os anos, desde 2002, na terceira quinta-feira do mês de Novembro a data é celebrada. Este dia celebra-se porque esta organização internacional considerou pertinente sublinhar o contributo desta área do saber para a paz mundial, para o enraizamento da democracia, para a educação, para a consolidação de valores como a justiça e a tolerância a nível mundial. Ao fazê-lo, a Unesco, reconhece, por um lado a filosofia como património de saber com mais de vinte e seis séculos na cultura ocidental, como a institui, por outro lado, como uma prática que reforça e contribui para a dinâmica da democracia assente na discussão e na consolidação de valores e princípios que são o fundamento de uma educação activa e crítica que desenvolve, no espírito daqueles que a estudam, valores e princípios que os tornam cidadãos de pleno direito e conscientes do seu valor e das suas competências de cidadania.





O Departamento de Filosofia e Psicologia desenvolveu, a partir dos contributos e desafios lançados aos seus alunos, uma evocação este duplo reconhecimento da Unesco à sua disciplina e levou a cabo um conjunto de actividades exemplificativas da herança de saber e de competências da Filosofia. Assim, os alunos tanto desenvolveram actividades ligadas à competência problematizadora, interrogando pelo espaço público da Escola, como o fazem e fizeram os filósofos ao longo da sua tradição, como pensaram a tradição através do comentário crítico, elaborando textos que se mostraram tanto nos marcadores de livros, como no comentário de obras de arte paradigmáticas da tradição em que os alunos estão inseridos.
Mas não se limitaram a comemorar o dia da filosofia realizando as actividades específicas da sua maneira de operar nas aulas e mostraram uma verdadeira capacidade criativa realizando maquetes que associavam a filosofia à leitura da realidade, mostrando como o seu leque conceptual permite ler mais profundamente a realidade histórica em que estão mergulhados, como ainda representaram o texto clássico de Platão, a “Alegoria da Caverna”. Para além destas actividades, puderam pôr à prova os seus conhecimentos relacionados com o corpo teórico das suas aprendizagens e enfrentar os “enigmas” deixados no corredor dos desafios. O Departamento, considerando igualmente pertinente a partilha de pontos de vista e de competências ligadas à dissertação, convidou um conjunto de docentes universitários e do ensino secundário, para explorarem a ligação da filosofia a diferentes áreas da cidadania e da vida dos indivíduos. O painel de convidados foi constituído pelo professor doutor Manuel Sérgio, do Instituto Piaget, que dissertou sobre as relações entre filosofia e a educação física, pelo docente Carlos Amaral, da Escola Secundária da Sobreda que dissertou sobre as relações entre a filosofia e a arte e pelo docente do ensino secundário, da Escola Secundária de Cacilhas, sobre a conexão entre a filosofia e o património cultural da humanidade. A mesa foi dinamizada por um ex-professor deste Departamento, o professor Sérgio Taipas, a quem o grupo agradece e a quem ao convidá-lo, reconhece o seu enorme contributo para o ensino da filosofia na ESEN.


O Departamento de Filosofia e Psicologia agradece a participação empenhada de todos os alunos, a sua alegre responsabilidade e contributo e agradece também a boa colaboração dos restantes doentes que acompanharam os alunos ao longo do dia à apresentação quer da maleta pedagógica sobre o conhecimento científico e os seus limites, quer do powerpoint sobre os comentários às obras de arte, das maquetes, da conferência e do teatro, de todos aqueles que de uma forma espontânea partilharam o seu ponto de vista sobre o que é a filosofia?




Se a resposta a esta pergunta permanecerá ainda em aberto, a verdade é que o dia foi fechado com entusiasmo e com espírito de festa, confirmando as sábias palavras de Jankélévich para quem poderíamos viver sem poesia, sem amor, sem música e sem filosofia, mas não tão bem.

Departamento de Filosofia e Psicologia