quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Dia Internacional de Comemoração em Memória das Vítimas do Holocausto 2021


Para comemorar e nunca esquecer a data que se celebra a 27 de janeiro divulgamos a mensagem da Diretora-Geral da UNESCO.

 

Mais informações 




Mensagem de Audrey Azoulay


Há setenta e seis anos, a 27 de janeiro, o exército soviético entrou em Auschwitz-Birkenau, e o mundo viu-se confrontado com aquilo que não queria ver.

Os soldados soviéticos encontraram cerca de sete mil prisioneiros emaciados, muitos dos quais pereceram nos dias seguintes. Viram os corpos dos prisioneiros mais doentes e debilitados, executados depois de os nazis terem forçado a maioria dos prisioneiros ainda vivos a participar numa "marcha da morte" em direção a oeste. Também descobriram vestígios do sistema impiedoso que os nazis puseram em prática, e dos esforços para o encobrir: ficheiros destruídos, fotografias danificadas e as câmaras de gás restantes

Auschwitz-Birkenau foi o centro de extermínio mais mortífero e o maior campo de concentração estabelecido pela Alemanha nazi durante o Holocausto. Foi aí que mais de 1,1 milhões de judeus e dezenas de milhares de ciganos, polacos, prisioneiros de guerra soviéticos e outras populações perseguidas perderam a vida.

Hoje em dia, à medida que vozes odiosas continuam a levantar-se para negar ou distorcer a realidade implacável destes factos, temos a responsabilidade universal de recordar todas e cada uma das pessoas que os nazis procuraram eliminar da face da terra. Devemos recordar as comunidades e culturas que foram destruídas; devemos cuidar dos locais históricos; devemos proteger e salvaguardar contra as tentativas de propagação das ideias que levaram ao genocídio do povo judeu e outros crimes nazis, e que ameaçam os direitos humanos de todos nós.

O Dia Internacional de Comemoração em Memória das Vítimas do Holocausto é um momento de luto por aqueles que desapareceram e de reflexão sobre as escolhas dos indivíduos e governos que permitiram que este genocídio acontecesse. É também um apelo à vigilância e à ação, para combater as causas profundas do ódio e evitar que sejam cometidas mais atrocidades no futuro.

A forma como recordamos e interpretamos o passado irá moldar o nosso futuro. A este respeito, a UNESCO está fortemente empenhada em sensibilizar para as causas e consequências do Holocausto, bem como em prevenir o antissemitismo na sua roupagem contemporânea. Só assim conseguiremos reforçar a resiliência de todos os povos face aos preconceitos e defender os princípios universais de justiça, diálogo e solidariedade que estão na base do mandato da Organização.

Este aniversário recorda-nos uma vez mais como o Holocausto abalou para sempre os alicerces da nossa humanidade comum. Apelo a todos os Estados Membros e organizações da sociedade civil a redobrarem os seus esforços para promover a educação, documentação e investigação sobre estes acontecimentos sem precedentes, que continuam a ser um flagelo para a consciência do mundo.

domingo, 24 de janeiro de 2021

Dia Internacional da Educação 2021

 
 Por ocasião desta importante data, celebrada hoje,  24 de janeiro, divulgamos a Mensagem de Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO

Para mais informação

Celebramos este terceiro Dia Internacional da Educação num contexto excecional: o da maior perturbação da história na vida dos estudantes, dos docentes e de toda a comunidade educativa.

No momento em que a pandemia volta a acelerar, metade dos estudantes do mundo continuam a enfrentar interrupções na sua escolaridade.

No pico da pandemia, as escolas chegaram inclusive a estar encerradas para 91% dos educandos, ou seja, 1,5 mil milhões de alunos e estudantes.

Todos puderam assim verificar que a educação era um bem público global; que a escola era mais do que um lugar de aprendizagem, era também um lugar de bem-estar, proteção, nutrição e emancipação.

Para muitos, foi necessário organizar uma educação sem escola, através da Internet, da rádio, da televisão e do correio postal. Mas devido à falta de conetividade, demasiados estudantes - 470 milhões - foram deixados à margem, aumentando assim as desigualdades.

Atualmente, a situação continua a ser preocupante: 24 milhões de estudantes, incluindo milhões de raparigas para quem a escola proporciona um porto seguro, podem nunca mais regressar a uma sala de aula, para além dos 258 milhões de crianças e adolescentes em situação de abandono escolar antes da crise.

Voltar a abrir as escolas, e mantê-las abertas, deve ser a prioridade. Mas esta reabertura também deve ser feita preservando plenamente a saúde dos docentes, dos estudantes e das suas famílias. É por este motivo que a UNESCO desenvolveu guias práticos com indicações claras neste sentido.

Esta é a razão pela qual a UNESCO, juntamente com a Education International, apelou aos governos e à comunidade internacional para considerarem os docentes e o pessoal educativo como um grupo prioritário nos planos de vacinação.

Ao mesmo tempo, temos de continuar a desenvolver o ensino à distância: porque a pandemia ainda está entre nós, porque temos de enfrentar as próximas crises, e porque também é uma boa maneira de melhorar as práticas pedagógicas e as formas de aprendizagem.

É neste sentido que trabalha a Coligação Global para a Educação, lançada pela UNESCO. Esta reúne mais de 160 parceiros e está ativa em 70 países para assegurar a continuidade das aprendizagens e a reabertura das escolas.

Por exemplo, na República Democrática do Congo, foram desenvolvidos programas educativos para chegar a 4 milhões de estudantes através da rádio. Foi igualmente lançada a plataforma ImaginEcole, para oferecer recursos a mais de 6 milhões de estudantes em África, tanto online como offline.

Neste contexto sem precedentes, a UNESCO apela aos Estados para que deem um novo impulso à ação em prol da educação.

Por ocasião da Reunião Mundial sobre Educação, organizada pela UNESCO em outubro último, mais de 70 chefes de Estado e de Governo e Ministros assumiram compromissos históricos: reabrir as escolas, melhorar a formação dos professores, reforçar as competências dos estudantes, reduzir a fratura digital, e financiar melhor a educação.

A educação precisa de ser melhor financiada, mas também precisa de ser repensada.

Os últimos meses salientaram novos desafios: a educação científica e sanitária, claro; mas também a literacia mediática e informativa, e literacia digital; ou ainda a educação ambiental e a cidadania global, para respeitar o planeta tal como nos respeitamos uns aos outros.

Neste mundo de profundas mudanças, a UNESCO está a repensar a educação através da sua iniciativa sobre o Futuro da Educação. Convidamos todas as pessoas a juntarem-se a esta reflexão global que envolve já quase um milhão de estudantes, docentes e encarregados de educação.

Neste Dia Internacional, a UNESCO convida-o a promover a educação como um direito fundamental e como o instrumento mais poderoso para o desenvolvimento. Pois defender o futuro deste direito é defender o direito ao futuro.



segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Dia Mundial do Professor 2020

 Por ocasião do Dia Mundial do Professor que se celebra no dia 5 de outubro divulga-se a 

Mensagem conjunta de
 Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO,
Guy Ryder, Diretor-Geral da Organização Internacional do Trabalho,
Henrietta H. Fore, Diretora Executiva da UNICEF
David Edwards, Secretário-Geral da Internacional da Educação


"Professores: Liderar em tempos de crise, reinventar o futuro "

Todos os anos, o Dia Mundial do Professor recorda-nos o papel crucial dos professores ao serviço de uma educação inclusiva e de qualidade para todos.

Este ano, o Dia Mundial do Professor reveste-se de maior importância tendo em conta os desafios que estes tiveram que enfrentar durante a crise da COVID-19.  A pandemia veio evidenciar o seu contributo crucial para assegurar a continuidade da aprendizagem e apoiar a saúde mental e o bem-estar dos seus alunos.

Devido à COVID-19, quase 1,6 mil milhões de estudantes - mais de 90% do total da população estudantil mundial - foram afetadas pelo encerramento de escolas. A crise da COVID-19 afetou também mais de 63 milhões de docentes, revelando as fraquezas persistentes de muitos sistemas educativos e exacerbando as desigualdades, com consequências devastadoras para os mais marginalizados.

Durante esta crise, os professores demonstraram, uma vez mais, grandes qualidades de liderança e de inovação, garantindo que #OEnsinoNuncaPara (#LearningNeverStops) e zelando para que nenhum aluno fosse deixado para trás. Em todo o mundo, têm trabalhado a nível individual e coletivo para encontrar soluções e criar novos ambientes de aprendizagem para os seus alunos, de modo a garantir a continuidade da educação. O seu papel de aconselhamento sobre os planos de reabertura dos estabelecimentos escolares e o apoio que prestam aos alunos no âmbito do regresso à escola é igualmente importante.

Precisamos agora de pensar para além da COVID-19 e trabalhar para construir uma maior resiliência nos nossos sistemas educativos, de modo a podermos responder rápida e eficazmente a estas e outras crises semelhantes. Para tal, temos que proteger o financiamento da educação, investir numa formação inicial de qualidade para os professores, bem como prosseguir o desenvolvimento profissional do pessoal docente existente. 

Sem a adoção de medidas urgentes e um maior investimento, a crise da aprendizagem poderia transformar-se numa catástrofe educativa. Já antes da COVID-19, mais de metade de todas as crianças de dez anos de idade vivendo em países de baixo ou médio rendimento não eram capazes de compreender uma simples história escrita.

Para reforçarmos a sua resiliência em tempos de crise, todos os professores deverão adquirir as competências digitais e pedagógicas necessários para ensinar à distância, online, e através de abordagens de aprendizagem mista ou híbrida, qualquer que seja o nível de tecnologia disponível. Os governos deveriam garantir infraestruturas e uma conetividade digitais em todo o seu território, incluindo em zonas rurais e remotas.

No contexto da COVID-19, os governos, os parceiros sociais e outros atores-chave têm uma responsabilidade ainda maior para com os professores. Exortamos os governos a proteger a segurança, a saúde e o bem-estar dos professores, a preservar o seu emprego, a continuar a melhorar as suas condições de trabalho, e a envolve-los, assim como às organizações que os representam, na abordagem educativa adotada para responder à pandemia de COVID-19 e ultrapassá-la.

Hoje, celebramos coletivamente os professores pelo seu compromisso constante com os seus alunos e por contribuírem para a realização, até 2030, das metas do Objetivo 4 de Desenvolvimento Sustentável. Homenageamos os educadores pelo papel central que desempenharam, e continuam a desempenhar, na resposta a esta pandemia e na recuperação da mesma.

Chegou o momento de reconhecermos o papel dos professores que contribuem para garantir que uma geração de estudantes possa alcançar o seu pleno potencial, assim como a importância da educação para estimular, a curto prazo, o crescimento económico e a coesão social, durante e após a COVID-19.

Chegou o momento de reinventarmos a educação e de concretizarmos a nossa visão de igualdade de acesso a uma aprendizagem de qualidade para todas as crianças e jovens.


segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Comemoração do Dia Internacional da Paz 2020

 Mensagem de Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do 

Dia Internacional da Paz que se celebra a 21 de setembro

"A paz na terra é da responsabilidade de todos, é uma responsabilidade universal.”

Neste Dia Internacional da Paz, as palavras de Otomi Tolteca, índio do povo Otomi do México, recordam-nos o nosso dever de solidariedade para com os nossos semelhantes: construir e defender a paz é uma missão universal, uma obra coletiva, que se edifica diariamente e nos diz respeito a todas e a todos.

Ser responsável pela paz significa agir, a nível pessoal, para superar as falhas e as injustiças que ainda nos impedem de alcançar um mundo de igualdade. Porque um planeta fraturado é um planeta que não conhece a paz.

Há 75 anos, ao sair de uma guerra terrível, o mundo dotou-se de um instrumento para construir uma paz duradoura, através do diálogo e do compromisso: as Nações Unidas.

Na UNESCO, estamos convictos de que esta missão deve, desde logo e principalmente, passar por um trabalho nos domínios da educação, da cultura e das ciências, pois, como refere o nosso Ato Constitutivo “nascendo as guerras no espírito dos homens, é no espírito dos homens que devem ser erguidos os baluartes da paz.

Todos os dias, através dos seus programas e ações no terreno, a UNESCO reafirma o compromisso assumido pelos seus fundadores de fazer com que a paz seja mais do que o silencio das armas, de fazer com que a paz seja uma convicção do coração e do espírito. É este compromisso que honramos com determinação durante esta Década Internacional para a Aproximação das Culturas (2013-2022).

No entanto, este caminho para a paz universal será longo, porque é uma obra que se edifica diariamente, porque é um processo de transformação permanente. "A Paz não é uma palavra, é antes um comportamento", como gostava de dizer Félix Houphouët-Boigny, primeiro Presidente da República independente da Costa do Marfim, e cujo legado celebramos através da atribuição do Prémio Félix Houphouët-Boigny-UNESCO para a Paz.

Mais do que nunca, a solidariedade e a cooperação são essenciais para construir sociedades de paz e combater a discriminação, nomeadamente contra as populações mais vulneráveis.

Neste Dia Internacional, a nossa Organização gostaria de apelar a todos e a cada um para que se empenhem no diálogo e reflitam juntos sobre o futuro, respeitando a diversidade de opiniões e perspetivas. É nosso desafio comum alcançar uma paz duradoura à escala mundial.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Comemoração do Dia Mundial do Ambiente - Divulgação da mensagem da Diretora-Geral da UNESCO


Mensagem de Audrey Azoulay
por ocasião do

Dia Mundial do Ambiente

subordinado ao tema 

«Biodiversidade»




Todos os anos, entre o final de maio e o princípio de junho, a UNESCO celebra três dias internacionais importantes que representam uma oportunidade para refletirmos juntos sobre os três pilares sistémicos das alterações climáticas: a biodiversidade, o ambiente e os oceanos.
O dia 5 de junho é uma oportunidade para celebrarmos o ambiente, para nos lembrarmos que é um todo, um sistema complexo em que interagem o clima, os oceanos, a diversidade dos seres vivos e dos meios envolventes, por vezes de uma forma que vai além da nossa capacidade de antecipação.
Este ano, no momento em que uma pandemia sem precedentes atinge o mundo, estes dias ressoam com uma urgência ainda mais tangível do que antes.
Em menos de um ano, a crise ambiental revelou-se de uma forma espetacular e preocupante. Enquanto os enormes incêndios que devastaram as florestas tropicais húmidas, como se de savanas áridas se tratasse, revelaram o desequilíbrio climático, a pandemia da COVID-19 lança uma luz crua sobre a crise que afeta a biodiversidade.
Na verdade, esta pandemia foi uma oportunidade para observar o que os cientistas de todo o mundo têm vindo a dizer há anos: a interdependência entre a humanidade e a biodiversidade é tão forte que a sua vulnerabilidade é a nossa fragilidade.
Esta crise sanitária é um aviso que temos de ouvir coletivamente: chegou o momento de repensarmos completamente a nossa relação com os seres vivos, com os ecossistemas naturais e com a sua diversidade biológica.
A construção conjunta de um novo pacto com os seres vivos e com o mundo é uma tarefa imensa, que exigirá um amplo consenso, tanto técnico como ético.
A UNESCO é um dos locais onde este consenso pode ser alcançado. De facto, a UNESCO tem de oferecer uma vocação e uma capacidade de aproximação, de diálogo, que tem estado no âmago da sua missão desde a sua criação. A refundação da nossa relação com os seres vivos só pode ser conseguida coletivamente, através do diálogo e do intercâmbio. Enquanto agência intelectual e normativa, "a consciência das Nações Unidas ", como lhe chamou um dos seus ilustres fundadores, Léon Blum, a UNESCO é, sem dúvida, um dos locais onde esta conversa mundial pode ter lugar.
A nossa Organização tem também de oferecer a sua experiência: através do seu Programa O Homem e a Biosfera, a UNESCO pode, de facto, apoiar-se em redes e sítios que testemunham o facto de já ser possível viver em harmonia, em conjunto com a natureza, em ecossistemas regenerados e preservados para que possam ser transmitidos às gerações futuras.
Por último, a UNESCO pode trazer para o primeiro plano as suas competências especializadas, nomeadamente no domínio da educação, já que a educação ambiental é decisiva para esta refundação. Estar mais atento, mais sensível, mais recetivo ao mundo vivo e à sua extraordinária riqueza, ser capaz de admiração e humildade, compreender a sua responsabilidade e perceber o que pode ser feito na prática - tudo isto pode ser aprendido.

Neste Dia Mundial do Ambiente, que este ano celebra a biodiversidade, recordemos que é "nas nossas mãos que está agora não só o nosso próprio futuro, mas o de todos os outros seres vivos com quem partilhamos a terra", como escreve o jornalista David Attenborough, que dedicou parte da sua vida a dar voz à beleza e diversidade da vida.

Mais informações em

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Dia Internacional da Diversidade Biológica - Divulgação da mensagem da Diretora-Geral da UNESCO


Mais informações em: https://fr.unesco.org/commemorations/biodiversityday




Mensagem de Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, por ocasião do 
Dia Internacional da Diversidade Biológica,  que se celebra hoje.
22 de maio
Todos os anos, entre o final de maio e o princípio de junho, a UNESCO celebra três dias internacionais importantes que representam uma oportunidade para refletirmos juntos sobre os três pilares sistémicos das alterações climáticas: a biodiversidade, o ambiente e os oceanos.
Este ano, no momento em que uma pandemia sem precedentes está a afetar o mundo desde há várias semanas, estes dias permitem-nos recordar, uma vez mais, que só com uma abordagem transversal e ambiciosa é possível construir um futuro mais sustentável do ponto de vista ecológico.
Destes três pilares, a questão da biodiversidade talvez tenha sido a mais mencionada nas últimas semanas de confinamento generalizado. O recolhimento na esfera privada e a deserção da maioria dos espaços públicos esbateram temporariamente a divisão do espaço entre o ser humano e as outras espécies.
Temos observado animais inusitados a vaguear pela cidade e, em áreas naturais inteiras, temos visto algumas espécies ressurgir dos seus esconderijos, para nidificar e se perpetuarem.
Emergindo das margens invisíveis a que habitualmente a condenamos, a natureza parecia ter recuperado o seu território durante algum tempo. Dando-nos a ver, num tempo limitado, o que normalmente temos dificuldade em perceber, este parêntese confinado recordou-nos, por contraste, o que o Relatório Mundial da Plataforma Intergovernamental de Política Científica sobre Biodiversidade e Ecossistemas (IPBES), publicado há um ano na UNESCO, já referia: o mundo dos seres vivos está a desaparecer, deixando lugar à proliferação das doenças infeciosas.
Este desaparecimento é uma ameaça direta para nós: o tecido vivo que é a biodiversidade não nos é estranho; dele dependem a nossa alimentação, a nossa saúde e o nosso bem-estar.
Assim, esta pandemia deve obrigar-nos a pensar dentro deste tecido de interdependência e a mobilizar ainda mais para nos afastarmos da trajetória destrutiva em que nos encontramos.
As soluções existem. A UNESCO está a identificá-las, a analisá-las e, sobretudo, a divulgá-las: no dia 22 de maio, terá lugar a uma reunião on-line para difundir todo o conhecimento, todo o know-how que está a ser desenvolvido nos quatro cantos do mundo, no âmbito da Rede Mundial de Reservas da Biosfera, dos sítios Património Mundial, da Rede Mundial da UNESCO e nas comunidades indígenas que têm tanto para nos ensinar sobre outro tipo de relação com a vida.
Neste Dia Internacional da Diversidade Biológica, façamos votos para que esta crise sanitária dê um impulso decisivo no sentido da proteção da biodiversidade e façamos nosso este aforismo de Édouard Glissant, "age localmente, pensa com o mundo".

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento


Mensagem de Audrey Azoulay
Diretora-Geral da UNESCO








Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento

21 de maio de 2020

O Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento é, este ano, celebrado num momento de incerteza e de preocupação.
O encerramento de espaços públicos, instituições culturais, salas de espetáculo e concertos levou, para muitos, à contração do espaço cultural e ao refúgio no seu íntimo.
Felizmente, os meios técnicos que estão hoje ao nosso alcance permitem, aqueles que têm a sorte de poder beneficiar deles, compensar a estreiteza dos espaços confinados. Assistimos assim ao florescimento de iniciativas que reinvestiram as práticas culturais em todo o mundo, destacando a sua grande riqueza. Com tantas ações combinadas, iniciativas originais e criatividade, este tempo de paragem imposta tem mostrado o que faz uma das nossas riquezas enquanto humanidade: a nossa diversidade.
Se a COVID-19 não conseguiu acabar com o diálogo entre culturas, as consequências desta crise a longo prazo, nomeadamente económicas, poderão ser muito prejudiciais para a diversidade. Os períodos de crise são, de facto, propícios à concentração e uniformização. A ameaça está neste perigo insidioso.
Sem um apoio importante, desaparecerão estruturas, perder-se-ão oportunidades de provocar e de ouvir essas formas de ver e de sentir, a diversidade cultural poderá ver-se diminuída, prejudicando a humanidade.
Temos, portanto, sem demora, de proteger esta diversidade, antes que ela desapareça. Por este motivo, a UNESCO lançou o movimento ResiliArt, cujo objetivo é encontrar formas de promover a proteção e a promoção da diversidade cultural neste momento difícil. Reunindo artistas, profissionais da cultura, governos, organizações não governamentais e o setor privado para refletirem juntos sobre as repercussões da pandemia, é o futuro da diversidade cultural que se desenvolve através da inteligência coletiva e da construção conjunta.
A atual crise deve conduzir a uma tomada de consciência e ser acompanhada de novos esforços, para que possam perdurar e desenvolver-se formas culturais variadas e florescerem estruturas culturais, para as quais a crise trouxe à luz do dia dificuldades que, na realidade, em muitos casos, já estavam presentes anteriormente.
Neste dia 21 de maio, Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, a UNESCO lança um apelo a todas e a todos: juntos, vamos celebrar e apoiar a diversidade cultural, que faz a singularidade da nossa humanidade.

terça-feira, 5 de maio de 2020

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Dia Mundial da Língua Portuguesa - Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO



Dia Mundial da Língua Portuguesa

5 de Maio de 2020







Mensagem da Senhora Audrey Azoulay|Diretora-geral da UNESCO

Esta terça-feira, 5 de Maio, assinala-se a celebração do primeiro "Dia Mundial da Língua Portuguesa", cujo intuito é realçar o rico contributo da língua portuguesa para a civilização humana.

A celebração deste primeiro Dia realiza-se como é evidente num contexto particular - o da pandemia da COVID-19 -, que está a levar a humanidade a enfrentar a sua crise mais grave desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Nestes momentos de angústia pelo presente e de dúvidas com o futuro, a língua portuguesa pode ser o fermento de uma nova resiliência, através do poder de evocação e de unidade da cultura.

Numa altura em que, mais do que nunca, precisamos de nos unir, perante um vírus que ignora os passaportes, a língua portuguesa pode assim ajudar a forjar essa "solidariedade intelectual e moral da humanidade" a que se refere a Constituição da UNESCO.

Com efeito, a língua portuguesa constrói pontes entre os povos. Produto de uma história multissecular e transcontinental, o mundo lusófono é hoje o cadinho de muitas culturas, que se enriquecem mutuamente através das suas diferenças.

"Minha pátria é a língua portuguesa", como escreveu o grande poeta Fernando Pessoa na sua obra-prima, O Livro do Desassossego. Esta "pátria" tem hoje mais de 265 milhões de falantes, o que a torna a língua mais falada no hemisfério sul.

Assim, a língua portuguesa tende para a universalidade, fervilhando de criatividade em todas as latitudes, de Angola ao Brasil, de Portugal a Moçambique, de Timor-Leste a Cabo Verde.

Este Dia recorda-nos, por isso, o quanto a diversidade cultural, na era da globalização, é um recurso precioso que devemos proteger e promover. É com este espírito que a UNESCO trabalha incansavelmente para favorecer a diversidade linguística e o multilinguismo no conjunto do seu mandato.

Tal como precisamos de unidade na diversidade para fazer face à pandemia, também precisamos do poder evocativo das línguas no momento presente.

Porque uma língua é mais do que um meio de comunicação: é uma forma de ver e sentir, um reservatório de símbolos e experiências, um caleidoscópio de sonhos e utopias criadoras.

Através das suas literaturas, filmes e músicas, a língua portuguesa oferece-nos desta forma a sua variedade e riqueza para nos permitir, neste tempo de confinamento, escapar e recarregar energias.

Que este Dia seja uma oportunidade para o aproveitar ao máximo: um excelente Dia Mundial da Língua Portuguesa para todas e todos.

sábado, 2 de maio de 2020

Comemoração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa - 7 Dias com os Media 2020

Neste Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a Comissão Nacional da UNESCO convida-nos a visitar e a divulgar o website da Operação 7 dias com os media, promovida pelo GILM - Grupo Informal sobre literacia Mediática.

Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa


3 de maio de 2020
Dia Mundial da Liberdade de Imprensa


Mensagem de Audrey Azoulay
 Diretora-Geral da UNESCO

Num momento em que a pandemia de COVID-19 nos faz mergulhar na ansiedade e na incerteza, a informação livre é essencial para enfrentarmos, compreendermos e ultrapassarmos a crise .

Antes de mais, estamos conscientes da sua importância vital: informar é dar a todos e a cada um, meios para combater a doença, adotando os comportamentos adequados.

Por este motivo, a nossa Organização associou-se à restante família das Nações Unidas na luta contra a "infodemia", os rumores e a desinformação, que está a agravar a pandemia e a pôr vidas em risco. Estamos a unir as nossas forças para promover duas grandes campanhas nas redes sociais: “Together for Facts, Science and Solidarity” e “Don’t go viral”.

Para multiplicar a eficácia destes esforços, a nossa Organização criou também um Centro de Recursos para os Media face à COVID-19, para ajudar os jornalistas a detetarem a informação falsa e informar sobre a crise de maneira segura e eficaz, tal como o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa deste ano nos convida a fazer: "jornalismo sem medo nem favor".

Este tema é uma celebração oportuna do trabalho daqueles que defendem a liberdade de informação, para uma imprensa independente que transmite e questiona os factos.

Esta liberdade de imprensa é demasiadas vezes violada. Quer seja através do controlo político, ideológico ou económico, de ataques difamatórios destinados a desacreditar o seu alvo, ou através de assédio. Existe, demasiadas vezes, uma tentativa de silenciar os jornalistas, especialmente as mulheres. Infelizmente, as circunstâncias excecionais que estamos a viver hoje agravam ainda mais esta pressão sobre os jornalistas.

A atual crise está também a aumentar a incerteza para a imprensa no plano económico. Por exemplo, no preciso momento em que a transição digital se acelera, as receitas publicitárias, das quais dependem muitas publicações, estão a diminuir ou até mesmo a cair a pique. Com o passar do tempo, os jornais poderão ser forçados a reduzir ou a cessar a sua atividade, privando as comunidades de um olhar diferente sobre o mundo, de uma profundeza de campo necessária à diversidade de opiniões.

Ora, num mundo tão interdependente como aliás o revela esta crise, todas as ameaças ou ataques à diversidade e à liberdade de imprensa, e à segurança dos jornalistas, nos dizem respeito a todos.

Assim, o sistema das Nações Unidas, bem como as novas alianças de associações de media, de governos e de atores do âmbito jurídico, académico ou da sociedade civil, apoiam os jornalistas de todo o mundo na sua luta pela sua independência e pela verdade.

Faço hoje um apelo para que estes esforços sejam redobrados. Neste momento crucial e
também para o dia de amanhã, precisamos de uma imprensa livre e de jornalistas que, por sua
vez, possam contar com todos nós.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Divulgação do vídeo do 25 Abril da Casa da Juventude de Guimarães

Para assinalar a data, aqui deixamos o acesso ao vídeo a pedido dos autores. 

"A Casa da Juventude de Guimarães vem por este meio divulgar o nosso vídeo do 25 Abril.
Este vídeo foi feito pelos jovens da Casa da Juventude, e mostra de forma simples, elucidativa e pedagógica, as razões e fundamentos desta data que nos devolveu a liberdade.
Pelo seu efeito de mostrar em poucos segundos a importância deste acontecimento, julgamos poder ser do vosso interesse divulgar junto daqueles que considerem pertinentes.

A Casa da Juventude de Guimarães desde já agradece a todos os que tornaram tudo isto possível."


O video pode ser visto em

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor - Divulgação da mensagem da Diretora-Geral da UNESCO






Mensagem de Audrey Azoulay, por ocasião do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor
23 de abril de 2020

Neste período de incerteza, muitas são as pessoas que recorrem aos livros para superar o confinamento e a ansiedade.
Na verdade, os livros têm esta capacidade única de nos entreter, de nos instruir, de ser simultaneamente um instrumento para a evasão, para o encontro com um autor ou autora, um universo ou uma cultura, bem como um meio para mergulharmos mais profundamente em nós mesmos. Deste modo, página a página, os livros traçam o caminho para deambularmos pela intimidade do pensamento humano de todos os tempos e lugares: chamamos a isto liberdade.
É de toda esta magia dos livros que necessitamos agora, numa altura em que, coletivamente, nos lembramos até que ponto a literatura, tal como todas as artes, são para nós essenciais.
Ao celebrarmos os livros, celebramos também os seus autores e autoras, que nos oferecem fragmentos de vida, universos, uma janela e um olhar sobre o mundo. Por este motivo, esta celebração ocorre no dia 23 de abril, data do aniversário da morte de William Shakespeare, Miguel de Cervantes e Inca Garcilaso de la Vega, autores que alimentam a nossa imaginação há quatro séculos.
Com eles, prestamos também homenagem a todas as profissões relacionadas como livro, designadamente a edição, a publicação e a tradução, as quais garantem a divulgação do nosso património literário, permitindo que as novas criações encontrem um lugar para se expressarem, favorecendo a circulação das ideias.
Mais do que nunca, estas profissões devem ser protegidas e valorizadas no atual período de pandemia da COVID-19, que representa uma ameaça profunda e duradoura a esta economia do encontro que é a cultura.
É por esta razão que a UNESCO valoriza o trabalho dos editores, nomeadamente através das parcerias que tem vindo a estabelecer com a Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) e a União Internacional de Editoras (IPA).
Para que o poder da leitura seja plenamente exercido, e para que todos possam encontrar nela um refúgio, sonhos, conhecimento e reflexão, é importante ter acesso aos livros. Este é o significado do compromisso assumido por Kuala Lumpur, que neste dia 23 de abril se torna a Capital Mundial do Livro 2020, sobretudo devido à sua determinação em promover a literacia e fomentar o desenvolvimento de uma cultura inclusiva do livro.
Num momento em que a leitura é absolutamente inestimável, é clara a importância vital do nosso compromisso comum com a integração na leitura e através da leitura.
Para a edição deste ano do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, convido todos e cada um de vós a pegar num livro e, ao virar as suas páginas, encontrar nele a lufada de ar fresco que o sustentará no presente e no futuro.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Lisboa Literária

No dia 6 de março, os alunos do 12.º ano CT1 e CT4 realizaram um «passeio literário» por Lisboa, partindo à descoberta com roteiros nas mãos e o olho fotográfico atento.


Entenda-se o produto final que aqui se publica como uma homenagem a todos os trabalhos desenvolvidos à distância, porque ela não existe quando a vontade está lá.
Parabéns a todos.
Maria Manuel Paz

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Literatura e Cinema - Mês Internacional das Bibliotecas Escolares

Inserido nas comemorações do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares, realizou-se, nos dias 10 e 11 de outubro, o 4.º Encontro de Bibliotecas Escolares do concelho de Almada.

A primeira intervenção do encontro, constou de uma apresentação sobre Literatura e Cinema realizada por Elsa Mendes, coordenadora do Plano Nacional de Cinema com moderação de Sara Cacela, professora bibliotecária coordenadora do agrupamento.




Nesta apresentação em que se conjugam duas formas de expressão que recriam o mundo, Literatura e cinema, Elsa Mendes, para além dum quadro teórico de referências, apresentou a sua perspectiva, uma abordagem relatada quase como uma história da relação entre estas duas formas de arte, em que o importante se centra no caminho serpenteante entre estas duas artes, no sentido de diluir fronteiras. Do seu ponto de vista, o mais importante é a relação entre estas duas formas de expressão artística os aspetos relativos à fidelidade, ao rigor, à transposição de linguagens e ao equilíbrio no diálogo de objetos.

No que respeita ao cinema, área em que se considera mais abalizada para falar, apresentou cinco ideias chave essenciais à leitura da obra fílmica: ponto de partida, referências do autor, critérios estéticos/rigor, relatividade do juízo de valor em relação à obra de arte e estratégias utilizadas. Nesta forma de expressão, salientou a importância da ponte estabelecida entre o sentido/significado e os recursos fílmicos.

Para concluir frisou que, no fundo, qualquer destas artes decorre da necessidade do ser humano em narrar, da procura da emoção, qualquer que seja o tipo de linguagem, textual ou audiovisual. Isto implica a mobilização de várias áreas para a leitura destas narrativas, seja no livro, seja no filme. Daí a pertinência de estimular a interdisciplinaridade, educar para esta(s) leitura(s), constituindo-se o sistema educativo como uma alavanca deste processo.
                                                                                                                                   |Sara Cacela

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Cinema P’ros da Casa - Plano Nacional de Cinema

Cinema P’ros da Casa é uma iniciativa pensada para dinamizar e incrementar partilhas verticais de ensino-aprendizagem no Agrupamento de Escolas Emídio Navarro. Pensámos, ao delimitar as atividades para o PNC (Plano Nacional de Cinema), que seria interessante fazer do cinema uma trave mestra dessas atividades. O objetivo foi levar a cabo sessões de cinema constantes no PNC aos alunos mais pequenos, sendo as mesmas dinamizadas, do ponto de vista pedagógico, por alunos de níveis de ensino mais avançado. A supervisão pedagógica é da responsabilidade de um docente do conselho de turma.
No passado dia 29 de março, a turma do 11.º CT2 foi dinamizar uma destas sessões à turma do 3.º A da Escola Básica n.º 3 da Cova da Piedade, da professora Regina Lima. Os alunos do secundário propuseram-se pensar o filme de Charlie Chaplin, O Imigrante. As razões para escolherem este filme prendem-se, naturalmente, com a necessidade de pensar a situação e ponto de cidadania em que cada um de nós, por ser europeu, se encontra. Com efeito, ser europeu significa hoje ter a condição de se ser emigrante e, ou receber imigrantes. O tema ainda interessou pelo facto de cada turma ter já imigrantes ou ter familiares emigrantes. Há ainda uma terceira razão que cabe à escola explorar como forma de combater a discriminação, o racismo e a xenofobia, a saber, a de mostrar como cada um é resultado de miscigenação, quer este dado biológico e histórico seja mais ou menos consciente. Apresentar este filme poderia fazer pensar quem somos, quantos somos dentro de cada um? Os alunos criaram uma seleção de imagens do filme associadas à agenda de discussão que, paralelamente, foi sendo criada. Os pequenos pensaram a partir de frames temas como o que é ser imigrante (?); como tratar os imigrantes (?); por que razão as regras devem ser universais e sem exceções (?); o que os torna bons e o que nos torna maus(?); o que nos torna iguais e diferentes(?).
Neste caderno de síntese deixamos os contributos que conseguimos apreender e que foram registados, mesmo quando a velocidade de pensamento e vertiginosa vontade de participar dos mais pequenos, nos ultrapassou e deixou sem resposta, ou capacidade para escrever o que foi pensado e discutido. Ao profissionalismo, empenho e cuidadosa atenção com os alunos do 11.º CT2, deixo a minha gratidão e, aos mais pequenos, com quem caminho há 3 anos deixo um sorriso de alegria por vê-los pensar tão ousadamente e com razões. Pode ser que existam mais viagens pelo cinema e pelo olhar do cinema, outras razões para pensar o humano e o que nos torna mais humanos. O cinema une e as imagens libertam, como abril, leituras mil, na expressão de uma professora que muito deixou a esta escola, a professora Ruth Navas. Cinema P’ros da Casa propõe-se desenvolver, para combater o cansaço dos dias e os mecanismos da rotina que nos entregam à morte do que pode ser mais original e criativo nos processos de ensino e aprendizagem, atividades das mil e umas leituras que há no movimento das imagens e das imagens em movimento. E, porque o pensamento é imagem, deixamos-vos estas que as palavras tentam guardar na película do tempo.
Isabel Santiago, professora de Filosofia/equipa do PNC

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Comemoração do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto - PNC A Vida é Bela, de Roberto Benigni











«Para evocar as vítimas do Holocausto, já depois do dia 27 de janeiro de 2019, os alunos do 8.º ano, do Agrupamento de Escolas Emídio Navarro, visionaram o filme do Plano Nacional de Cinema, A Vida é Bela, de Roberto Benigni. Considerou-se ajustado pensar esse acontecimento histórico na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento/Oficina de Cidadania, por várias razões pedagógicas e como exercício prático de cidadania. Com efeito, esse acontecimento passado configura-se, outra vez, como um acontecimento presente e recebemos notícias preocupantes de pedidos de ajuda de judeus em fuga do Reino Unido onde são vítimas de perseguição e ódio. O acontecimento tem 70 anos e, 70 anos depois continua, como se de um incêndio se tratasse, com frentes de destruição ativas no cenário político da Europa. Não é assim de estranhar que uma Escola Centro UNESCO se debruçasse sobre o papel dos campos de concentração e desencadeasse mecanismos de reflexão crítica sobre o seu significado político, ético e humano para serem expressas, de forma clara e inequívoca, razões pelas quais não os desejamos e a nossa cidadania, livre e consciente, os recusa.




Após o visionamento do filme os alunos foram levados a pensar, com a ajuda dos seus professores, argumentos de natureza política e ética que justificassem, com razões, o porquê de não dever haver campos de concentração. O resultado dessa reflexão apresenta-se sob a forma de postais criados por eles e nos quais encontramos elencadas razões de cidadania e razões que, por serem de cidadania, recolocam a tónica da sua recusa na fundamental necessidade de pensar o humano com DIGNIDADE e RESPEITO, recusando todas as formas totalitárias e nacionalistas-populistas que põem em causa aqueles valores universais. De uma forma mais profunda pensamos criar pontos de alerta cívica nos nossos alunos que, nesta fase do seu desenvolvimento, devem começar a pensar que, contra a intolerância, a desumanidade, o racismo, a xenofobia, não pode haver indiferença ou a falsa tolerância de pensar que todas as posições são eticamente equivalentes. Pensamos que, com este exercício pedagógico de pensar a vida política a partir de um filme que explora as consequências da política concentracionária na vida de uma família, se criaria, nos nossos jovens de 13 anos, um rastro interior e pessoal de maior consciência contra todas as formas de indignidade e todos os estilos políticos menos democráticos. Pretendeu-se duplicar o seu olhar sensível – porque um filme é uma matéria que desperta a sensibilidade – num olhar mais inteligível ou reflexivo sobre este tema e este problema: pode o poder político decidir da vida e da morte dos seus cidadãos? Que limites devem ser colocados para se pensar a nossa vida com os outros? 
Depois de recebermos os postais dos nossos alunos não pudemos deixar de acalentar a renovada esperança de que educar é o único caminho para que se evitem produzir afirmações como estas últimas que transcrevemos. Não se pode governar a partir da insensibilidade ética, não se pode governar, fazendo dos outros meios para fins políticos de autoafirmação e bélicos, não se pode governar para reeducar opções individuais e expressão livre do que se é, não se pode governar para destruir no outro naquilo que cada um é. Ao ler os postais pensamos poder afirmar que os nossos alunos, com 13 anos, sabem que qualquer ser humano tem direito à sua dimensão psicológica, social, moral e espiritual e nunca afirmarão que «nada têm para refletir» a partir de uma ordem dada. Porque eles devem sempre valorizar a pensar sobre o obedecer, porque devem sempre lembrar que «não é o trabalho que liberta», são os campos de concentração, lugares de morte, a que dizemos NÃO.


Centro UNESCO 
em colaboração com todos os docentes de Cidadania e Desenvolvimento e Oficinas de Cidadania 
fevereiro-abril de 2019

sexta-feira, 5 de abril de 2019

"Sonhar uma Terra Melhor" - Laboratórios Abertos de Ciência da ESEN 2019

 Os Laboratórios Abertos de Ciência da ESEN 2019 decorreram nos dias 3 e 4 de abril, tendo por tema aglutinador “Sonhar uma Terra Melhor”.


Este evento para além de dar a conhecer os trabalhos realizados pelos alunos dos 8º, 9º, 10º,
11º e 12º anos da ESEN, pretendeu divulgar conhecimento científico e promover o gosto pelas ciências experimentais, principalmente junto dos alunos do 1º ciclo, 2º ciclo e 3º ciclo das outras escolas do Agrupamento.

O conjunto de atividades, maioritariamente interativas, que foi dado conhecer aos visitantes,
para além de muito vasto foi também muito diversificado. Assim, os visitantes puderam:

- viajar pelos 5 Reinos de Whittaker;
- assistir a um teatro sobre aspetos relevantes da vida de Darwin fundamentais para
formulação da teoria sobre a evolução das espécies;
- participar na exposição de trabalhos interativos sobre o conhecimento, o respeito e equilíbrio
sustentável do nosso planeta;
- envolver-se na procura de uma alimentação saudável, base do equilíbrio dos sistemas de
órgãos do corpo humano e no conhecimento desses sistemas;
- participar na exposição de trabalhos interativos sobre corrente elétrica em contexto;
- observar diferentes instrumentos musicais construídos pelos alunos;
- participar nas experiências laboratoriais de Física nos domínios da mecânica, ondas e
electromagnetismo;
- observar experiências simples que exploravam vários domínios da Química;
- provar produtos produzidos através de gastronomia molecular.
- visualizar pequenos vídeos sobre o problema das alterações climáticas e ações a empreender
para o mitigar.


O número de visitantes dos “Laboratórios Abertos de Ciência da ESEN 2019” excedeu as expectativas na medida em que este evento foi visitado por 32 turmas de outras escolas do Agrupamento (10 da Pré-primária; 17 do 1º Ciclo; 5 turmas do 9º ano da EDAC), num total de650 alunos.





Os laboratórios e suas atividades foram ainda visitados por várias turmas da ESEN e muitos dos
nossos alunos participaram ativamente na preparação e na dinamização deste evento.



Pelos Departamentos Disciplinares 510 e 520,
A coordenadora do Departamento Curricular de Ciências Experimentais
Maria Regina Lucena

sexta-feira, 8 de março de 2019

Dia Internacional da Mulher - Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO




O Dia Internacional da Mulher celebra este ano o contributo das mulheres para a sociedade – em especial no espaço digital - e propõe uma reflexão sobre a forma de garantir às mulheres o pleno usufruto dos seus direitos.
As tecnologias digitais têm influência sobre a forma como trabalhamos, aprendemos, ensinamos e vivemos juntos. Infelizmente, as mulheres nem sempre beneficiam plenamente desta revolução tecnológica. Na realidade, segundo um relatório recente da Comissão de Banda Larga para o Desenvolvimento Sustentável, desenvolvido em colaboração com a UNESCO, concluiu-se que o fosso digital entre homens e mulheres está a aumentar: em 2016, o número de homens on-line ultrapassava em 250 milhões o número de mulheres. As mulheres não só são menos conectadas como beneficiam menos da literacia e da formação digital, têm menos probabilidades de ser contratadas por empresas tecnológicas e, geralmente, a sua remuneração é menor do que a dos seus colegas do sexo masculino.
As mulheres estão em desvantagem, incluindo em algumas das áreas mais avançadas da ciência – tecnologias digitais e inteligência artificial. Assim, a título de exemplo, apenas 22% dos profissionais da inteligência artificial são mulheres. Este ano, a UNESCO ambiciona restabelecer o equilíbrio ao recordar as mulheres pioneiras que afastaram os limites do nosso conhecimento em áreas como a computação quântica, a inovação digital e a inteligência artificial. Ao destacarmos os sucessos destas mulheres, esperamos incentivar uma nova geração de jovens mulheres nos domínios da ciência, da tecnologia, da engenharia e da matemática (CTEM), onde ainda estão subrepresentadas. Trabalhamos para incentivar jovens raparigas e mulheres a optarem por estas áreas e, em particular, a desenvolverem as suas competências digitais através, por exemplo, do projeto "Girls Can Code", recentemente lançado.
No âmbito cultural, também apoiamos o acesso das mulheres à criação digital e promovemos a igualdade de género digital nas indústrias criativas, através da iniciativa "You are next". Em colaboração com Sabrina Ho, a UNESCO ajuda centenas de jovens mulheres do México, Palestina, Senegal, Afeganistão e Tajiquistão a adquirirem competências artísticas, digitais e empresariais indispensáveis ao seu sucesso no mundo digital.
Apesar destas iniciativas e da existência de muitos modelos femininos na esfera do digital, as mulheres estão, cada vez mais, a abandonar as plataformas on-line para se protegerem dos ciberataques e do assédio. Uma em cada dez mulheres da União Europeia afirma ter sido vítima de cyberbullying desde os 15 anos, um fenómeno particularmente frequente nas jovens mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 29 anos. A UNESCO, na qualidade de agência das Nações Unidas dedicada à informação e à comunicação, está na vanguarda da luta contra a discriminação de género e do assédio on-line e da luta para a eliminação de estereótipos que se difundem nos media.
Para fazer parte desta luta contra os estereótipos, convido-vos a juntarem-se ao movimento mundial #Wiki4Women. Na Wikipedia, apenas uma em cada seis biografias é dedicada a uma mulher. Ao criar ou completar biografias de mulheres extraordinárias nas esferas da cultura, da educação e da ciência, na Wikipedia, a UNESCO pretende conferir-lhes a existência digital que merecem. Baseando-se no sucesso da iniciativa “Edit-a-thon”, levada a cabo no ano passado, na sede da UNESCO, a Organização colabora novamente com a Fundação Wikimedia na promoção de oficinas “Edit-a-thon” no Cairo, em Deli, em Banguecoque, em Lima e em Almaty, assim como em Paris.
A UNESCO está empenhada em contribuir, de forma positiva e duradoura, para o empoderamento das mulheres e para a igualdade de género. Cada um de nós pode fazer a diferença, rejeitando o preconceito e a discriminação, garantindo que os espaços online sejam seguros para todos, celebrando as realizações das mulheres e incentivando a contribuição das mulheres na esfera digital e em todas as esferas davida.


Audrey Azoulay

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto


27 de janeiro de 2019

A UNESCO comemora hoje a descoberta do campo de concentração e de extermínio de Auschwitz-Birkenau pelas tropas soviéticas, a 27 de janeiro de 1945.



Auschwitz-Birkenau, o maior complexo de campos de concentração da Europa ocupada, é um lugar de memória para numerosos grupos perseguidos pela Alemanha nazi. Este campo foi também o maior centro de extermínio industrializado, construído para assegurar a execução do genocídio dos judeus da Europa. Cerca de 1,1 milhão de pessoas foram assassinadas neste lugar, das quais cerca de um milhão de judeus, mortos simplesmente por terem nascido judeus.

O Holocausto foi o produto de uma ideologia baseada no racismo biológico, cujo elemento principal foi o ódio aos judeus. Resultou também das políticas de conquista e de perseguição que assolaram a Europa e o mundo na guerra mais mortífera que a humanidade jamais conheceu.

Paradoxalmente, à medida que a investigação sobre esta trágica história progride, há quem insista em contestar a realidade dos factos. Os negacionistas do Holocausto continuam a espalhar desinformação nas redes sociais. Na Europa, alguns inclusivamente enveredam por um discurso ofensivo, negando a participação das populações e das autoridades locais nos massacres, com desprezo por factos indiscutíveis. Outros acusam “os judeus” de explorarem o Holocausto com vista à obtenção de vantagens financeiras ou políticas, em benefício, por exemplo, do Estado de Israel. Três gerações após os factos, preservar a memória do Holocausto continua a significar, ainda hoje, persistir na luta contra este tipo de antissemitismo cujos defensores persistem em manchar a memória dos mortos para melhor atacar os judeus da atualidade.

A preservação desta memória passa pelo apoio à investigação histórica. Passa também pelo ensino da História do Holocausto e de outros genocídios e crimes em massa. As questões levantadas por este ensino revestem-se de grande atualidade tendo em conta a propaganda das ideologias extremistas, a defesa das teorias da conspiração mais infames nas redes sociais, a erosão das instituições democráticas e o enfraquecimento do diálogo internacional.

Este é um trabalho que a UNESCO desenvolve diariamente, com os líderes na área da educação de todo o mundo, através da investigação pedagógica, da formação ou ainda das cátedras UNESCO, no quadro dos seus programas de educação para a cidadania global. Fá-lo igualmente através do seu Programa Memória do Mundo, que inclui, desde 2017, os arquivos do processo de Auschwitz em Frankfurt.

Entre estes documentos protegidos pela UNESCO encontram-se os arquivos do Ghetto de Varsóvia, reunidos na clandestinidade pelo grupo Oneg Shabbat, dirigido pelo historiador Emanuel Ringelblum. Este ano, através da transmissão mundial do filme Who Will Write Our History, a UNESCO decidiu homenagear estes resistentes que, desde as profundezas do inferno, souberam contrariar o ódio e a violência com o conhecimento e a cultura. A mensagem de humanidade que nos deixaram, após a sua morte brutal, é a razão de ser da UNESCO.

Neste dia de memória, convido todos os atores da educação, da cultura e da ciência a redobrarem a sua determinação no combate às ideologias de ódio e no seu contributo para uma cultura da paz.

Audrey Azoulay