sexta-feira, 16 de novembro de 2018
quinta-feira, 15 de novembro de 2018
Dia Mundial da Filosofia 2018
Pensar a Paz e a Guerra
De forma a dar continuidade a uma
experiência de celebração deste Dia Mundial, o Departamento de Filosofia do
Agrupamento de Escolas Emídio Navarro, escolheu o tema Guerra e Paz. O tema foi
escolhido por envolver valores em contraponto, valores que importa avaliar e
explorar para um melhor entendimento do mundo em que os alunos vivem. Por outro
lado, se a paz é um dos valores de referência da escola e desta em particular
por ser um Centro UNESCO, a guerra não pode ser esquecida, nem podemos e não
conseguimos, por muito grandes que sejam os esforços dos filósofos ao longo do
tempo por enfatizar argumentativamente a importância de valores, como a
tolerância e o respeito pelo outro e a sua consideração como pessoa e como ser
singular e cultural, , esquecer o mal que resulta da guerra.
Este ano escolhemos o tema e também o
apresentámos como tema-problema às crianças do nosso Agrupamento. A partir do
belo poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, A Paz sem Vencedor e sem Vencidos, pedimos uma reflexão sobre os dois
valores: guerra e paz. Como tarefa final, pedimos que cada uma contribuísse
para a construção de um poema. O resultado final é surpreendente. Os versos são
da responsabilidade dos alunos de uma turma do 3.º ano, a turma A, da Escola
dos Caranguejais, ou mais corretamente da Escola EB n.º 3 da Cova da Piedade. O que
não é da responsabilidade dos alunos é o arranjo dos versos que se organizaram
segundo um princípio de semelhança temática entre os mesmos à medida que os
alunos construíam o poema em voz alta.
Ao lê-lo, não podemos deixar de sentir
que há na voz do pensamento inocente aquela velha ideia da Filosofia que nos
diz que o bem é inato e está no coração dos homens, que o bem está no âmago da
vida e é primeiro e mais primordial do que o mal. Mas a questão que mais
perturba é pensar como pode uma criança sentir isto, saber isto com o
entusiasmo de um grito que não se pode silenciar, e os adultos não o gritarem
nem construírem uma narrativa consistente da paz na História da Humanidade.
Mais do que palavras e argumentos, e porque a poesia foi no Ocidente a primeira
forma consistente de pensar e deixar um legado ao futuro, deixamos à
consideração de todos e ao coração dos homens este poema realizado por crianças
de 8 anos de dedo no ar como um manifesto, com a força de quem acredita que os
gestos humanos podem ter uma dimensão universal.
Resposta a Sophia
Não se matem!
Não vão à guerra!
Não se tornem assassinos!
Não façam o mal!
Não usem armas!
Não façam a violência!
Não pratiquem terrorismo
Não matem e
Não culpem inocentes!
Não se destruam uns aos outros!
Não destruam os sonhos dos outros!
Na guerra há horror e morte, há escravos e império!
Há sangue!
Não há liberdade e não há justiça!
Ninguém é melhor do que ninguém!
Ajuda por isso o teu amigo e inimigo!
Façam a paz!
Façam a bondade!
Respeitem todos:
A cultura das pessoas e dos lugares!
Amem-se uns aos outros:
Espalhem carinho
Como quem espalha pólen!
Façam crescer a amizade como se faz crescer o bicho-da-seda:
Começa pequenina e acaba grande!
A paz é como a onda gigante
Que a todos acolhe no mesmo mar!
A paz liberta o nosso coração!
Construam a paz!
Esta é uma ordem para todos os homens e para todas as
mulheres!
Com a paz a vida fica melhor!
A paz é a ética!
Turma A do 3.º ano
8 de novembro de 2018
A
Coordenadora UNESCO
Isabel
Santiago
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Mundial da Filosofia

A filosofia alimenta-se da necessidade que o ser humano tem de compreender o mundo que o rodeia e de identificar princípios para orientar a sua ação. Esta necessidade ancestral continua a ser premente: cerca de 3000 anos após o aparecimento desta disciplina na China, no Médio-Oriente e na Grécia Antiga, os questionamentos levantados pela filosofia não perderam em nada a sua pertinência e a sua universalidade – muito pelo contrário.
Num mundo cada vez mais complexo, onde reina a incerteza, onde as evoluções sociais e as revoluções tecnológicas confundem as referências estabelecidas, onde os desafios sociais e políticos são imensos, a filosofia continua a ser um recurso extremamente valioso. É simultaneamente um espaço de retiro e desaceleração e uma luz suscetível de nos orientar.
A filosofia ajuda-nos a superar a tirania do instante e a analisar os desafios que se nos colocam com o necessário distanciamento histórico e rigor intelectual. Dá-nos as chaves da interpretação e sintetiza, numa linguagem acessível, saberes fragmentados numa infinidade de áreas: a biologia, a genética, a informática, as ciências cognitivas, o direito, a economia, as ciências políticas… Além destes conhecimentos especializados, permite entender os desafios claramente humanos, os desafios de sentido, de norma.
A filosofia também nos ajuda a refletir, precisamente, sobre as normas que sustentam a nossa vida coletiva: ao levantar questões de justiça, de paz, de ética, de moral. Estas questões são particularmente relevantes na sociedade atual, onde os progressos alcançados no domínio da inteligência artificial parecem redefinir as fronteiras do humano.
Por fim, a filosofia implica uma abordagem e uma atitude específicas: a abertura ao diálogo e ao intercâmbio de argumentos, a predisposição para acolher o que parece estranho e diferente, a coragem intelectual de questionar os estereótipos e de desconstruir os dogmatismos.
Por todas estas razões, a filosofia é um recurso indispensável para aprendermos a viver juntos e para todas as sociedades livres e pluralistas – ou que aspiram a sê-lo.
A UNESCO, cujo mandato está em consonância com a vocação universalista da filosofia, sempre atribuiu uma atenção particular a esta disciplina. Por este motivo, a nossa Organização tem a honra de celebrar, uma vez mais, na sua Sede, em Paris, nos dias 15 e 16 de novembro, o Dia Mundial da Filosofia. Worshops, mesas redondas e conferências irão animar uma noite e dois dias excecionais durante os quais os amantes de filosofia, de todas as idades e contextos culturais, poderão explorar todo o tipo de assuntos e desfrutar do debate de ideias e da reflexão.
A UNESCO, cujo mandato está em consonância com a vocação universalista da filosofia, sempre atribuiu uma atenção particular a esta disciplina. Por este motivo, a nossa Organização tem a honra de celebrar, uma vez mais, na sua Sede, em Paris, nos dias 15 e 16 de novembro, o Dia Mundial da Filosofia. Worshops, mesas redondas e conferências irão animar uma noite e dois dias excecionais durante os quais os amantes de filosofia, de todas as idades e contextos culturais, poderão explorar todo o tipo de assuntos e desfrutar do debate de ideias e da reflexão.
Neste Dia Mundial da Filosofia, que a célebre frase de Sócrates – “Só sei que nada sei” – nos incite a avançar alguns passos juntos na vertiginosa imensidão do conhecimento.
Audrey Azoulay
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
Divulgação da Mensagem conjunta UNESCO para o Dia Mundial do Professor

Mensagem conjunta de Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, Guy Ryder, Diretor-Geral da Organização Internacional do Trabalho, Henrietta H. Fore, Diretora Executiva da UNICEF, Achim Steiner, Administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e David Edwards, Secretário-geral da Internacional da Educação
“O Direito à educação também é o direito a um professor qualificado”
A educação é um direito humano fundamental e um bem público. Transforma vidas ao contribuir para o desenvolvimento económico e social. Promove a paz, a tolerância e a inclusão social. Desempenha um papel fundamental na erradicação da pobreza. Permite às crianças e aos jovens alcançar o seu potencial.
No entanto, em muitos lugares, as crianças são privadas do seu direito à educação devido a uma penúria mundial de professores qualificados e experientes, em particular de professoras, nos países de baixo rendimento. Apesar de um aumento global do acesso à educação, mais de 263 milhões de crianças e jovens no mundo não frequentam a escola Pelo menos 617 milhões de crianças e adolescentes – cerca de 60% à escala mundial – não dominam a leitura nem o cálculo. As crianças mais pobres e mais marginalizadas, nomeadamente aquelas que vivem em zonas de conflitos, são as mais expostas ao risco de não frequentar a escola ou, mesmo sendo escolarizadas, de aprender muito pouco.
A Agenda 2030, com a qual a comunidade internacional se comprometeu tem como objetivo a educação para todos, do ensino pré-primário ao ensino secundário. Para alcançar este objetivo, temos de alargar a cada criança e a cada jovem o acesso a uma educação de qualidade ,acabando assim com a discriminação a todos os níveis do sistema educativo e melhorando consideravelmente a qualidade da educação e os resultados da aprendizagem. Estes objetivos exigem, por sua vez, o aumento da oferta mundial de professores qualificados – mais 69 milhões, segundo as estimativas.
Este ano, o tema do Dia Mundial do Professor – “O direito à educação também é o direito a um professor qualificado” – reflete esta realidade. Faz-se igualmente eco à Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada há 70 anos, que reconheceu a educação como um direito fundamental. Hoje em dia, relembramos aos governos e à comunidade internacional a importância de proteger esse direito ao investir num corpo docente forte, em particular nos países afetados por conflitos. De forma a garantir que todas as crianças estejam preparadas para aprender e ocupar o seu lugar na sociedade, os professores devem receber uma formação e um apoio eficazes, que lhes permitam responder às necessidades de todos os alunos, inclusive às dos mais marginalizados.
No entanto, a falta de professores põe em causa os esforços desenvolvidos para alcançar uma educação equitativa, inclusiva e de qualidade para todos – especialmente nos países assolados pela pobreza generalizada e por crises prolongadas, e nas regiões onde a população jovem está a aumentar rapidamente. Para responder à procura de novos professores, as autoridades responsáveis pela educação contratam frequentemente pessoas que detêm pouca ou nenhuma formação ou reduzem até os requisitos de qualificação. É inclusive pedido a alguns professores que ensinem matérias para as quais não receberam qualquer formação pedagógica. Nos países de baixo rendimento, fazer face à falta de professores significou aumentar drasticamente a dimensão das turmas, o que teve efeitos devastadores na qualidade do ensino e na carga horária dos professores.
Por conseguinte, as crianças mais marginalizadas e excluídas têm tendência a ser ensinadas pelos professores menos experientes, por vezes até em situação de contrato temporário, e sem qualquer formação inicial ou contínua. Os professores dispostos a trabalhar em situações de emergência ou de crise não são formados para responder às necessidades complexas das crianças vulneráveis, em particular, das meninas que foram forçadas a fugir das suas casas devido a conflitos armados, violências ou desastres naturais.
Embora seja amplamente reconhecido que os professores desempenham um papel determinante numa educação de qualidade para todos, o ensino é ainda desvalorizado, por muitos. O baixo prestígio desta profissão é um obstáculo aos esforços desenvolvidos para contratar e manter os professores, tanto nos países ricos como nos países pobres. Para responder a esta situação, os governos e os parceiros da educação devem tomar medidas dinâmicas com vista à melhoraria da qualidade da formação inicial e contínua dos professores. Estes devem receber uma formação inicial de qualidade, beneficiar de uma integração eficaz na profissão e dispor da possibilidade de aperfeiçoar as suas competências ao longo da sua carreira. Ao mesmo tempo, é preciso mostrar à população que o ensino é uma profissão valiosa ao garantir aos professores salários decentes e ao melhor as suas condições de trabalho a todos os níveis do sistema educativo.
Neste Dia Mundial do Professor, enquanto celebramos o papel importante que os professores desempenham na melhoria da vida das crianças e dos jovens, reafirmamos o nosso compromisso em aumentar a oferta de professores qualificados em todo o mundo. Incentivamos todos os governos e a comunidade internacional a juntarem-se a nós neste desígnio, para que todas as crianças e todos os jovens, independentemente da sua situação, possam exercer o seu direito a uma educação de qualidade e a um futuro melhor.
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO - Dia Internacional da Paz

“Não haverá paz neste planeta enquanto, algures no mundo, os direitos humanos forem violados.”
Neste Dia Internacional da Paz, as palavras de René Cassin, um dos artesãos da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948, relembram-nos que a paz continua a ser um ideal inalcançável enquanto os direitos humanos fundamentais não forem respeitados. São, pois, a condição primordial de uma sociedade pacífica em que a dignidade de todos os indivíduos é respeitada e onde todos podem usufruir de direitos iguais e inalienáveis.
Estas palavras também nos relembram do nosso dever de solidariedade para com os nossos semelhantes; a paz é imperfeita e frágil se não beneficiar a todos e a todas. Os direitos humanos ou são universais ou não são. Esta ligação intrínseca entre paz e respeito pelos direitos fundamentais constitui o tema desta nova edição do Dia Internacional da Paz, no momento em que se celebra o 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Os ideais de paz e de direitos universais são, todos os dias, contestados e violados. Existem vários obstáculos para a sua realização. A nossa capacidade em edificarmos um mundo feito de harmonia, de compreensão e de coexistência pacífica é posta à prova pelos mais diversos desafios: desigualdades sociais e económicas que causam sofrimento e pobreza; alterações climáticas que geram novos conflitos; explosão demográfica que cria novas tensões… Por outro lado, propagam-se também novas formas de populismo e de extremismo em todo o mundo.
Para vencermos estes desafios, temos de agir de forma coletiva e construir, passo a passo, o edifício da paz. Este é o objetivo do Programa da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que apela a uma ação concertada para alcançarmos os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, que contribuem para um mundo mais justo e mais pacífico – luta contra a pobreza, contra a fome, contra as desigualdades de género, promoção da educação, defesa da justiça, compromisso em favor de um ambiente saudável...
Todos os dias, a UNESCO, através dos seus programas e das suas ações no terreno, reafirma o seu compromisso original, consagrado no seu Ato Constitutivo: erguer os baluartes da paz no espírito das mulheres e dos homens. Líder da Década Internacional para a Aproximação das Culturas (2013-2022), a UNESCO investe-se totalmente no desenvolvimento de uma cultura de prevenção a nível mundial através da educação, da cooperação internacional e do diálogo intercultural.
O caminho para a paz é longo, mas cabe a todos e a cada um de nós influenciar o seu rumo ao comprometermo-nos, diariamente, em prol de uma sociedade mais inclusiva, mais tolerante e mais justa.
Audrey Azoulay
sábado, 15 de setembro de 2018
Divulgação da Mensagem da Diretora-Geral da UNESCO por ocasião do Dia Internacional da Democracia

Hoje, celebramos o Dia Internacional da Democracia. A democracia é um ideal que reconhece a todos os seres humanos igualdade de dignidade e as mesmas liberdades fundamentais: liberdade de pensar, liberdade religiosa, liberdade de expressão e liberdade de circulação.
Estes valores universais estão consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo 70º aniversário festejamos este ano, e inspiram o Ato Constitutivo da UNESCO. A cultura, a educação, a ciência, a comunicação e a informação - que a UNESCO procura promover em todo o mundo - perdem a sua essência se não estiverem alicerçadas em valores universais ou se excluírem uma parte da Humanidade e não contribuírem para uma maior paz e justiça.
A democracia não é apenas um ideal moral, é também um princípio político e jurídico. A democracia organiza-se, constrói-se e consolida-se através da concessão de direitos políticos que permitem a participação na elaboração comum das leis e das instituições através de eleições livres e do sufrágio universal, através de mecanismos de controlo dos poderes próprios a um Estado de direito, através de uma imprensa livre e independente e, por fim, através de cidadãos ativos e de uma sociedade civil aberta e dinâmica. A UNESCO está assim particularmente envolvida na promoção da cidadania e trabalha em estreita colaboração com numerosos parceiros da sociedade civil.
Uma das características do espírito democrático é a convicção de que se obtém mais com o diálogo, a concertação e a mediação do que com a coerção e a arbitrariedade: em suma, que o direito tem que prevalecer sobre a força. O ideal democrático está indissociavelmente ligado a um compromisso de resolução pacífica dos conflitos e a uma aspiração à paz. A UNESCO ergue essa aspiração como um baluarte.
O ideal democrático insta-nos a trabalhar incessantemente em prol de mais igualdade, mais liberdade e mais justiça, do direito a uma educação de qualidade para todos, do direito à informação, do direito a condições de vida dignas, a um ambiente saudável, a um emprego decente… Neste sentido, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas consiste na ramificação desse ideal constantemente aprofundado em função dos novos desafios que vão surgindo a cada nova geração e que irão, certamente, manter-se neste início de século XXI.
Neste Dia Internacional façamos o ponto da situação sobre os avanços do ideal democrático no mundo e do respeito das liberdades e dos direitos fundamentais, especialmente este ano em que se celebra o aniversário da Declaração Universal. Juntos, mobilizemo-nos para que se cumpra a promessa de paz e de justiça inerente à democracia.
Audrey Azoulay
segunda-feira, 23 de julho de 2018
quinta-feira, 31 de maio de 2018
História Trágica Com Final Feliz - PNC
terça-feira, 29 de maio de 2018
Ensaio de Leitura "Os dois lados" - Filosofia para Crianças
No âmbito da leitura e tratamento dos textos de Gonçalo M. Tavares sobre o Sr. Valéry, os alunos realizaram discussões com o texto e os seus núcleos lógicos através da performance e da representação. O que sente um corpo que tem que experimentar viver de acordo com a regra do pensamento ou que o pensamento se dá a si mesmo? No final da performance o aluno deixa as questões que surgiram numa das sessões de Filosofia para crianças. Foi mais um ensaio de leitura do Centro UNESCO do AEEN- Almada.
quinta-feira, 8 de março de 2018
Ensaios de Leitura
As atividades, em torno da leitura e ensaio de leitura de Fernando Pessoa ortónimo e heterónimo, promovidas pelo conjunto de professoras do grupo disciplinar de Português no dia 8 de março, dia do nascimento dos poetas no poeta merecem algumas palavras por parte da coordenadora da UNESCO.
A primeira dessas palavras é de
agradecimento para com os que desenvolvem na escola atividades que implicam
leitura e a partir dela imaginam um caminho de apropriação original que passa
por fazer e estabelecer o que Maria Gabriela Llansol chamou «drama-poesia».
Esse caminho ousado, de criar passagens entre géneros e criar movimentos de
leitura apropriativa mais ativa do que meramente passiva, não podem não ser
destacados depois do que se passou no dia 8 de março. Estendendo-se, desta
forma, o agradecimento, aos alunos que disseram «sim» e tornaram esse
assentimento uma presença que mudou a face de um dia normal de aulas na escola.
A segunda dessas palavras é de
contentamento: as atividades do Centro UNESCO são as atividades dos docentes e
dos alunos. O que se passou neste dia, com a apresentação nas salas de aula do
drama pessoano ou com a exposição de vídeos e trabalhos dos alunos de 12.º ano,
não pode deixar de impressionar positivamente os que trabalham, ensinando, os
que aprendem e os que visitam a nossa escola. Se a frase já não tivesse um
sentido esgotado, poderíamos dizer que a «poesia saiu à rua. Mas provavelmente
aconteceu aqui algo de maior: ela tornou-se o que entrou no interior dos que
vivem nesta comunidade, como se fosse e pudesse ser o que de facto também é, um
respirar comum da humanidade que pensa a vida com o ritmo da palavra que
desvela o mais fundo do humano. Neste sentido, toda a poesia é património da
humanidade e ela deve invadir o mundo como se o mundo humano tivesse nela a sua
mais funda possibilidade de ser dito. Se para Galileu a natureza estava escrita
em linguagem matemática, a natureza humana pode ser entendida na linguagem da
poesia. Assim o foi desde o início em todo a cultura e em todas as grandes
civilizações.
O que aconteceu na escola neste
dia é paradigmático do que está plasmado no perfil do aluno e mais ainda: foi a
ritualização de um ato cultural e civilizacional que começa a ser raro
assistir. Num tempo em que negamos pela sua inutilidade tudo o que fomos e
somos, este dia foi o elogio da inutilidade que redime o homem de tudo o que
consome e nos consome.
A terceira e última dessas
palavras é de alegria. Apoiar uma atividade com esta dimensão, visibilidade e
qualidade, no mês dos livros e com uma leitura de Fernando Pessoa, não podia
senão deixar-me cheia de alegria pelo trabalho das colegas, dos alunos que
continuam a fazer da escola o lugar humano de ensaio do sentido da vida.
Se a poesia é bela, esta
atividade não o foi menos. Obrigada às colegas que tornaram este dia uma
apologia da poesia, da beleza e interromperam a indiferenciação dos dias que
cansam com a diferença que salva.
Centro UNESCO
Isabel Santiago
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
Projeto My City, My Home, My Responsability
Um Projeto Internacional e Uma Memória Visual do Mundo a partir de
Fernão Mendes Pinto
My City, My Home, My Responsability – Chime e Centro UNESCO
A
formação internacional Erasmus+, My City, My Home, My Responsability/Chime desenvolve-se em torno de valores da cidadania e, neste caso e, mais especificamente, de valores associados à memória da cidade e da sua exploração em vídeo em contexto de sala de aula e de aprendizagem.
O projeto, pelos valores que que aborda e pretende explorar, só poderia ser abraçado igualmente pelo Centro UNESCO. Essa convergência de objetivos da Formação My City, My Home, My Responsability com os objetivos da UNESCO relativos ao património e à cidadania traduz-se nos seguintes aspetos:
. Promoção de valores ligados à cidadania cuidadora, consciente, ativa, eticamente responsável.
. Desenvolvimento de uma relação de conhecimento entre o aluno e a cidade.
. Desenvolvimento de uma relação de memória entre o aluno e a cidade e os que nela viveram e criaram património.
. Criação de uma memória narrativa que continua o passado no futuro, combatendo o esquecimento e dando ao tempo a densidade significativa que a velocidade comunicativa retira.
No
âmbito deste projeto cada grupo de escolas europeias vai apresentar um trabalho
realizado pelos alunos, em vídeo, com concurso a decorrer na escola, sobre
Fernão Mendes Pinto - um autor do concelho que viveu em Almada e partiu pelo
mundo, muito mais mar do que terra, à procura do múrmurio outro do mundo,
depois da Índia, mas ainda procurando em Português o que, depois na mesma
língua de Camões, ficou registado como uma PEREGRINAÇÃO.
Nessa magna obra leu um mundo novo para a Europa e deixou-nos para ler as marcas e murmúrios dessa leitura, tão singular quanto rara, de uma distância que fomos tornando cada vez mais próxima. Acontece que se o mundo onde Fernão Mendes Pinto foi nos é cada vez mais próximo, a sua obra ficou paradoxalmente cada vez mais distante. Tentando combater essa distância que é esquecimento, os professores do Agrupamento da Emídio Navarro, aproveitando este projeto internacional a que o Centro UNESCO se associa, pretendem retormar a leitura dessa obra com apresentação em vídeo. Os alunos vencedores desta viagem, de memória e técnica, irão no final de março a Valência para partilhar o seu trabalho com os colegas da Roménia, da Grécia, da Turquia, de Itália e de Espanha.
Recorde-se que o projeto anual do Centro UNESCO é Ensaios de Leitura. Assim, este trabalho a desenvolver, no âmago deste projeto internacional, pode ser um ensaio de leitura de excertos da Peregrinação e torna, por meio do papel central da imagem-vídeo, essa leitura uma obra de imagens e memória nossa, da nossa cidade e uma leitura responsabilizante. Ser responsável é responder pelo que ainda nos fala de nós e do mundo e nos fala de uma maneira que já está esquecida. Aquele que fala do e com o esquecido é duplamente responsável, porque salva os mortos do passado e oferece ao presente o futuro que todo o texto, por ser universo de possibilidades, deixa diante de nós como chave que abre a opacidade da vida para o que estava diante e não se via.
«Enquanto a leitura for para nós a iniciadora cujas chaves mágicas nos abrem no fundo de nós próprios a porta das moradas onde não teríamos sabido penetrar, o seu papel na nossa vida é salutar. » /Marcel Proust, Sobre a Leitura, p.51
Guia-nos, neste projeto e no Centro UNESCO, esta frase de Proust com que esperamos criar nos alunos um forte sentido de responsabilidade pelo passado comum e um sentido de urgência em quebrarmos este sonambulismo e funambulismo com que tornamos o presente sem espessura e as consciências sem memória e, por isso, impreparadas para a ação. Com efeito, só aquele que se sente só e uma ilha se sente impotente, inversamente, o aluno que tem um património de ideias dentro de si tem que responder pelo seu poder e pelo que pode a partir delas e com elas em busca da sua identidade.
Isabel Santiago
Fevereiro de 2018
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
Dia Mundial dos Direitos Do Homem e do Cidadão - Direito à Educação
Em 2013 Byung-Chul Han, na obra No Enxame, escreveu a abrir este seu
ensaio que «respeito» significa «olhar para trás» - diz sobre isto,
peremptoriamente, que uma sociedade sem
respeito, sem o pathos da distância,
desemboca numa sociedade do escândalo – nós dizemos que no Dia Mundial dos
Direitos do Homem e do Cidadão, é preciso respeito pelos mesmos em geral e pelo
direito à educação, em particular (art.º 26.º).
Com efeito, quando pensamos nos
Direitos do Homem e do Cidadão estamos diante de um acervo de artigos que dão
corpo a uma lei que nos merecem respeito porque, em primeiro lugar, para os
pensarmos precisamos de saber que o seu valor não se esgota no imediatismo que
domina o voyeurismo do presente e da
História. Cada instante é um desenrolar consequente do passado que é pertença
comum. Assim, houve um momento em que os direitos inalienáveis do cidadão foram
tornados matéria respeitável para nos garantir não só o seu cumprimento, como
para tornar respeitável o que eles garantiram à geração atual e permitem
assegurar às futuras. No passado que os instituiu, 1948, na versão que deles
temos, eles ofereciam-se como naturais. Os homens tinham que reaver aquilo que
o escândalo da Guerra tinha interrompido e que pareciam conquistas consecutivas
desde a Revolução Francesa. Quando se deixou de olhar para esses direitos que
garantem a humanidade, a igualdade de oportunidades e a liberdade, os Homens
tornaram-nos, com a força da Lei, matéria respeitável pelo seu valor e pelos
valores que eles contemplam e matéria respeitável pela coacção que toda a
normal formal encerra. Respeitá-los, a partir de 1948, parece ser até uma
obrigação natural como se, a par dos direitos
naturais, se impusessem as obrigações
naturais. Direitos que exigem deveres de salvaguardarmos, em herança irredutível
do humano, uma matéria natural e legal, que
nenhum de nós alguma vez devesse ousar macular pelo esquecimento e pela
violação. O que o documento, património imaterial da humanidade, nos lega é
essa obrigação de não esquecermos o dever de tornar tangíveis os valores que
cada direito relembra como marca do humano. Quando aceitamos, no silêncio ou na
indiferença, a sua violação, ou a sua irrealização, aceitamos o escândalo de
não respeitarmos o Homem e a memória que a Declaração dele faz e o que a ele
pertence enquanto ser histórico, com passado e com promessa de futuro.
O Departamento de Ciências Sociais e Humanas,
no dia 10 de dezembro, relembra estes bens naturais a que chamamos direitos,
desenvolvendo um conjunto de iniciativas que pretendem levar mais longe a
sensibilização e a consciencialização para o direito à educação junto dos
alunos do 5.º ao 12.º ano. Fá-lo a partir de vários materiais nos quais se
incluem recursos que nos dão conta das dificuldades que afetam as crianças do
mundo que não podem estudar, porque o caminho geográfico é árduo, ou o caminho
sociopolítico o dificulta. Fornece dados da UNESCO para refletir sobre a
importância da educação para a humanidade e para a igualdade, para a dignidade
e para a transformação do mundo e do tempo. Com este intuito, convidará os
alunos a pensar sobre o papel da educação para que pensem o seu valor para os
que a ela não têm acesso e para aprenderem a respeitar – na distância que é
sempre a reflexão – como um dom a que recebem. Espera o Departamento levar os
alunos a assumirem que a educação é um bem natural, ou seja um bem que como a
vida, a liberdade, a igualdade, não lhes pode ser tirada e os torna humanos, os
humaniza.
Como este exercício se traduz em
texto, o mesmo vai ser exposto na árvore, símbolo da vida e do que renasce, nos
ciclos do tempo, cujas folhas que o jardim do pensamento consente, exploram
essa importância. Haverá outras reflexões a partir do cinema e de uma
curta-metragem incluída no Plano Nacional
de Cinema- Rhoma Acans - que é, como sabemos, um programa que torna a
imagem num vasto património que educa e facilita a educação, e reorienta o
olhar dos alunos para essas paisagens que com o olhar do realizador se tornam
paisagens onde, como humanos, nos colocamos no lugar do outro. Se há dia UNESCO
em que esse exercício ético nos é proposto é este. O dia em que cada um deve
sentir que poderia ser qualquer um dos outros. A Coordenadora agradece a todos
os professores que neste dia tornam a sua ação um direito garantido: educar.
A Coordenadora do
Centro UNESCO
Isabel Santiago
Reflexões a partir do cinema - Comemoração do Dia dos Direitos Humanos
As turmas do 10.º ano dos curso de Ciências Socio-Económicas e Línguas e Humanidades foram interpeladas a pensar o direito à educação a partir da curta-metragem de Leonor Teles, Rhoma Acans que integra o PNC.
Os alunos visionaram e discutiram o filme e depois receberam Elsa Mendes, coordenadora nacional do Plano Nacional de Cinema que fez uma apresentação e leitura do filme. Em seguida realizou-se uma sessão de perguntas e respostas sobre o cinema em geral e sobre este filme em particular.
A sessão teve lugar no auditório da ESEN e insere-se no programa de atividades do departamento de ciências sociais e humanas que celebram o direito à educação no âmbito das comemorações do dia UNESCO dos direitos do homem e do cidadão.
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
Dia Mundial da Filosofia - Comemoração na ESEN
No passado dia 16 de Novembro
comemorou-se mais um dia da Unesco dedicado à Filosofia. Com efeito, todos os
anos, desde 2002, na terceira quinta-feira do mês de Novembro a data é
celebrada. Este dia celebra-se porque esta organização internacional considerou
pertinente sublinhar o contributo desta área do saber para a paz mundial, para
o enraizamento da democracia, para a educação, para a consolidação de valores
como a justiça e a tolerância a nível mundial. Ao fazê-lo, a Unesco, reconhece,
por um lado a filosofia como património de saber com mais de vinte e seis
séculos na cultura ocidental, como a institui, por outro lado, como uma prática
que reforça e contribui para a dinâmica da democracia assente na discussão e na
consolidação de valores e princípios que são o fundamento de uma educação
activa e crítica que desenvolve, no espírito daqueles que a estudam, valores e
princípios que os tornam cidadãos de pleno direito e conscientes do seu valor e
das suas competências de cidadania.Mas não se limitaram a comemorar o dia da filosofia realizando as actividades específicas da sua maneira de operar nas aulas e mostraram uma verdadeira capacidade criativa realizando maquetes que associavam a filosofia à leitura da realidade, mostrando como o seu leque conceptual permite ler mais profundamente a realidade histórica em que estão mergulhados, como ainda representaram o texto clássico de Platão, a “Alegoria da Caverna”. Para além destas actividades, puderam pôr à prova os seus conhecimentos relacionados com o corpo teórico das suas aprendizagens e enfrentar os “enigmas” deixados no corredor dos desafios. O Departamento, considerando igualmente pertinente a partilha de pontos de vista e de competências ligadas à dissertação, convidou um conjunto de docentes universitários e do ensino secundário, para explorarem a ligação da filosofia a diferentes áreas da cidadania e da vida dos indivíduos. O painel de convidados foi constituído pelo professor doutor Manuel Sérgio, do Instituto Piaget, que dissertou sobre as relações entre filosofia e a educação física, pelo docente Carlos Amaral, da Escola Secundária da Sobreda que dissertou sobre as relações entre a filosofia e a arte e pelo docente do ensino secundário, da Escola Secundária de Cacilhas, sobre a conexão entre a filosofia e o património cultural da humanidade. A mesa foi dinamizada por um ex-professor deste Departamento, o professor Sérgio Taipas, a quem o grupo agradece e a quem ao convidá-lo, reconhece o seu enorme contributo para o ensino da filosofia na ESEN.
O Departamento de Filosofia e Psicologia agradece a participação empenhada de todos os alunos, a sua alegre responsabilidade e contributo e agradece também a boa colaboração dos restantes doentes que acompanharam os alunos ao longo do dia à apresentação quer da maleta pedagógica sobre o conhecimento científico e os seus limites, quer do powerpoint sobre os comentários às obras de arte, das maquetes, da conferência e do teatro, de todos aqueles que de uma forma espontânea partilharam o seu ponto de vista sobre o que é a filosofia?
Se a resposta a esta pergunta
permanecerá ainda em aberto, a verdade é que o dia foi fechado com entusiasmo e
com espírito de festa, confirmando as sábias palavras de Jankélévich para quem poderíamos viver sem poesia, sem amor, sem
música e sem filosofia, mas não tão bem.
Departamento de
Filosofia e Psicologia
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Dia Mundial da Filosofia
Liberdade e Diferença
Reaviva-se na ESEN, por meio de
uma exposição de trabalhos realizados pelos alunos, a relevância da Filosofia e
o seu legado de reflexão sobre valores que são inequivocamente os valores da
UNESCO. Um património é uma herança que não escolhemos e que, por ser herança,
nos enriquece e nos torna responsáveis pela sua conservação e multiplicação.
Ensinar é, por seu lado, o gesto cuidador de conservação e transformação do
recebido em algo de diferente, ou revelador de potencialidades outras que nunca
se tinham destacado no que foi herdado e conservado. Nesse sentido, o
Departamento de Filosofia escolheu o tema da liberdade e da diferença
para convidar os alunos a pensar e cuidar do valor destes dois valores que se impuseram
como tema de uma vasta tradição que deixou vasta obra e, nalguns casos, o
exemplo de vida dos seus autores em nome da defesa destes mesmos valores,
pensamos por exemplo em Simone Weil que, sendo sensível às condições de
trabalho dos operários se tornou ela mesma operária fabril, e Levinas que,
tendo perdido família nos campos de concentração, dedicou a sua vida, como
pensador, a escrever e dar conferências sobre a diferença do outro e a
infinitude do seu rosto.
Infelizmente os seus gestos e os
seus textos não influenciam as decisões de muitos que fazem, como o filho
pródigo, e decidem sob o véu do esquecimento, ignorando esse legado e essa mais
funda compreensão do significado e sentido destes valores fundamentais para o
indivíduo e para o coletivo das sociedades. Decidir sob um véu de esquecimento
é um ato cada vez mais intencional e mais desastroso e a paisagem humana da
Europa e a iminência de um conflito nuclear a nível mundial mostram-nos como é
viver sob o efeito das consequências desse esquecimento voluntário do que
incomoda. Afinal, reconhecer que a liberdade pode ser o fundamento do mal e que
a diferença é uma fonte de poder tão poderosa como cada um dos que se
consideram iguais deve ser uma reflexão a erradicar, pois a sua consideração poderia
levar o cidadão a responsabilizar o que decide mal e pelo mal. Por isso,
vivemos numa sociedade em que a decisão política assenta num maniqueísmo
simplista, em que o mal está nos outros de que temos que, dizem, afastar-nos,
ou combater, ou isolar. Ora, o mal está em cada um porque a liberdade tem o seu
fundamento no homem como tão bem lembra esse poema de Miguel Torga quando diz, liberdade que estais em mim, santificado
seja o vosso nome… Por outro lado, ostracizar o estrangeiro, diminui-lo na
sua condição é continuar a esquecer a importância do outro e o modo como o
outro, o diferente, foi fundamental para a Europa se reconhecer a si mesma e
criar a sua identidade cultural. Como entender a diferença? Como uma ameaça,
como um desafio humano? Humanamente, diferença é um desafio e potencializadora
de encontros que alargam o tecido da nossa identidade que deve ser construção
permanente, deve ser ipseidade, movimento que se faz e tece no devir e na
abertura ao outro que há em nós e ao outro que vem de encontro a nós. Quando
ela é redutora e propositadamente lida como ameaça, ela rotunda em
etnocentrismos, racismos e relativismos problemáticos e intolerantes.
Diante da herança que torna o
homem consciente de si e do mundo e da decisão política, e o homem é livre na
pólis, como lembra Hannah Arendt, o aluno que é sempre cidadão e pertence à
pólis, deve discutir valores, porque sem valores não há regras nem normas
enraizadas ou fundadoras de um viver comum. Parafraseando Kant dir-se-ia que
normas sem valores são vazias. A norma faz sentido quando ela traduz um ideal,
um bem maior de realização continuada e promotora de sentido e de
sensibilização. E a sensibilização para as diferenças já não é apenas uma
necessidade, é uma urgência.
Neste dia, diante dos trabalhos
dos nossos alunos gostaríamos de pensar que a sua obra em torno destes dois
valores, liberdade e diferença, é um ato político tal como ele deve ser
entendido, como uma interferência na consciência crítica daqueles que vão
receber esta herança e percebem, pelo conhecimento da mesma, que a decisão não
pode assentar no esquecimento mas na memória do que somos e do que foi pensado,
para não chegarmos ao fim sem nada e tornando o mundo em nada.
Porque acreditamos que ensinar é
enriquecer espiritualmente os alunos, acreditamos que a celebração deste dia,
mais uma vez neste Centro UNESCO, é uma forma de credibilizar valores e
reafirmar a nossa esperança nessa imensa arca de Noé com que a Filosofia
oferece a cada geração a possibilidade de continuar o mundo no meio do ruído da
ignorância e do esquecimento. O CENTRO UNESCO agradece ao Departamento de
Filosofia as iniciativas e aos alunos em particular o seu renovado interesse e
dinamismo reflexivo.
A Coordenadora do
Centro UNESCO
Isabel Santiago
terça-feira, 4 de abril de 2017
Jornadas Literárias em Albufeira
A professora Fernanda Lamy do Agrupamento de Escolas de Albufeira Poente participou ativamente com os seus alunos nas Jornadas Literárias organizdas em
janeiro e fevereiro de 2017, pelo Centro UNESCO Ciência, Arte e Engenho do
Agrupamento de Escolas Emídio Navarro em Almada, pela Escola Secundária
Cacilhas-Tejo e pelo Clube UNESCO Literatura-Mundo do Centro de Estudos
Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade Técnica de Lisboa.
COMO ACONTECEU…
O Projeto Literatura-Mundo
conheceu no 2º período escolar as suas duas primeiras tertúlias à volta dos
livros, que foram um verdadeiro sucesso. Os alunos são os principais
intervenientes, portanto aqui estão as suas palavras.
“A tarde de sexta-feira, 10 de
fevereiro, foi diferente, houve várias reflexões de todos e apresentação de
vários livros com temas iguais, mas diversas maneiras de os interpretar, o que
com que expandíssemos horizontes. Foi muito bem sucedida e superou as
expetativas, foi uma tarde agradável em que convivemos com os colegas e a
professora, enquanto discutíamos os temas presentes nos livros, até de um ponto
de vista filosófico, e relativamente à semelhança com a realidade. A verdade é
que cada livro fazia surgir um novo tópico de conversa.
Sem dúvida que foi uma ideia
muito dinâmica e divertida, tivemos oportunidade de sair da nossa “zona de
conforto” e comunicar com pessoas de outras turmas. Foi surpreendente a forma
como todos estavam à vontade uns com os outros, sem se conhecerem, portanto, um
ambiente que, à partida, seria constrangedor, tornou-se num descontraído e
divertido.
Assim, participar na tertúlia
foi algo inesquecível e inédito, superou totalmente as expetativas. Não foi mesmo
nada do que se esperava, foi muito melhor!!!”
Inês, Alexia,
Leonor, Cátia e Vladimir, 12º C
“A partilha de livros foi
muito interessante, cativante e de fácil compreensão, porque os alunos estavam
muito menos nervosos do que o habitual. Este estilo informal é mais tranquilo e
acessível. A parte do chá e dos bolinhos gerou um ambiente acolhedor,
juntamente com as mantinhas partilhadas por todos.
Resumindo, foi uma excelente
tarde, a primeira de várias, assim se espera. Tornou o horizonte literário mais
abrangente e o debate sobre temas atuais produtivo.”
Helena, Rita
Cavaco e Gonçalo, 12º D
“Ao princípio houve uma certa
renitência em participar, poderia ser formal, uma espécie de “apresentação”,
com o estigma de pessoas a julgarem as outras. Contudo, foi uma experiência
excelente. Foi muito bom juntar duas coisas que agradam imenso: livros e
comida. Possibilitou aprender sobre vários livros e partilhar o de cada um. Além
disso, o chá e os bolinhos tornaram tudo mais apelativo, tanto que nem se deu
pelo passar das horas.
Foi, na verdade, um encontro
caloroso e criativo, que não só permitiu conhecer melhor os colegas envolvidos
no projeto e partilhar as leituras, mas também viver uma experiência muito
divertida. O chá e os bolinhos tornaram tudo mais acolhedor, descontraído, com
mantinhas e almofadas, entre risos e piadas, e assim exploramos, para além dos
temas englobados no projeto, outros relevantes para a nossa sociedade. Desde
conflitos amorosos até eventos culturais de diferentes países, houve várias
opiniões semelhantes no grupo, comprovando que os jovens precisam mesmo de
contactar mais fora de redes sociais e esta é uma excelente forma.
Para além disto tudo, tiramos
fotografias e fizemos um vídeo para os nossos parceiros de Almada. Concluindo:
experiência a repetir, criativa e muito divertida.”
Susana, Inna, Sara
Teixeira, Maria e Ana, 12º E
“O ambiente foi tão agradável
que fez sentir-nos em casa, o que transmitiu um enorme conforto. A nível emocional não se sente a pressão. No
meio do stress das notas da escola, são estes pequenos momentos que nos fazem
descontrair. Os bolos estavam ótimos e os doces ainda melhores. Enfim, a
tertúlia promoveu o contacto interturmas, o convívio, novos conhecimentos sobre
livros e pontos de vista diferentes. Foi uma experiência única, a repetir!
Ana Catarina,
Inês, Tatiana e Alexandre, 12º G
A professora,
Fernanda Lamy
sexta-feira, 3 de março de 2017
Jornada Literárias I - segunda sessão
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
Leitores conversam sobre livros. - Jornadas Literárias I
Os leitores da Escola Secundária Emídio Navarro e da Escola Secundária Cacilhas-Tejo participaram no colóquio sobre Literatura de Viagens e Cidades, seguido de debate em torno de vários livros, tais como Na Patagónia de Bruce Chatwin e As Cidades Invisíveis de Italo Calvino.
As Jornadas Literárias foram coordenadas pelos professores de Português das escolas envolvidas e organizadas pelo Centro UNESCO Ciência, Arte e Engenho do Agrupamento de Escolas Emídio Navarro, em parceria com o Clube UNESCO Literatura--Mundo do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Esta iniciativa contou com o precioso apoio da Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Emídio Navarro e da Biblioteca Municipal.
As Jornadas Literárias foram coordenadas pelos professores de Português das escolas envolvidas e organizadas pelo Centro UNESCO Ciência, Arte e Engenho do Agrupamento de Escolas Emídio Navarro, em parceria com o Clube UNESCO Literatura--Mundo do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Esta iniciativa contou com o precioso apoio da Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Emídio Navarro e da Biblioteca Municipal.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Jornadas Literárias I
O Centro UNESCO Ciência, Arte e Engenho em parceria com o Clube UNESCO Literatura-Mundo do Centro de Estudos Comparatistas, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, têm o prazer de convidar a comunidade educativa para as Jornadas Literárias I, organizadas pelos professores Laura Gabriel, Luís Maia e Rute Navas da ESEN, e pelos professores Ana Parra, Alexandra Pedro e José Cunha, da Escola Secundária Cacilhas-Tejo.
Esta iniciativa conta com a intervenção de cerca trinta alunos do ensino secundário, que desenvolveram projetos de leitura ao longo de vários meses.
| Programa |
O grupo organizador agradece a colaboração das colegas Ana Ávila Silva, Isabel Santiago e Graça Leão, bem como, da professora bibliotecária Sara Cacela. Finalmente uma palavra de reconhecimento à Biblioteca Municipal que acolheu esta iniciativa desde o primeiro momento.
Pela Coordenação,
Rute Navas
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Apresentação de Kiarostami

Onde Fica a Casa do Meu Amigo?, filme de 1984 foi trabalhado pelos alunos do 10.º CT2, no decorrer do ano letivo 2015-2016 sob proposta da docente Isabel Santiago, responsável pela disciplina de Filosofia.
Os alunos tiveram que trabalhar o filme sob quatro perspetivas diferentes, fazendo incidir a sua análise nos 15 minutos em que uma criança deambula, com um velho, numa labiríntica aldeia.

Nesta sessão foi feita a apresentação e explicação do processo que os conduziu à comunicação das diferentes etapas do trabalho e à explicação das múltiplas leituras que a obra suscitou.
Os materiais encontram-se em exposição na biblioteca escolar da ESEN.
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